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Brasil

Preço do etanol em São Paulo sobe 9% em um ano, aponta ANP

Média chega a R$ 4,34 na capital; entressafra da cana e aumento da demanda explicam alta

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14/01/2026 17:45 • Atualizado há 283 dias

Preço do etanol em São Paulo sobe 9% em um ano, aponta ANP

O preço do etanol hidratado voltou a subir em São Paulo, ultrapassando o valor registrado no início do último ano, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No estado, o litro passou de R$ 3,96 em janeiro de 2025 para R$ 4,32 na semana terminada em 10 de janeiro de 2026 -- uma alta de cerca de 9% em um ano.

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Na capital, o valor médio está em R$ 4,34. Mesmo com o aumento, São Paulo ainda tem um dos menores preços do país, atrás apenas do Mato Grosso do Sul. A média nacional saiu de R$ 4,13 em 2025 para R$ 4,53 em 2026.

O analista de treinamento Agnaldo Martins, de 65 anos, mora na Vila Sônia e reclama do aumento do etanol na região. “Antes eu conseguia encontrar o etanol a menos de R$ 4, agora não encontro etanol a menos de R$ 4,20 a R$ 4,40”, relata.

Segundo Martins, os preços cobrados em postos entre o Morumbi e a Vila Andrade “parecem iguais”, na média de R$ 4,30. Ele observa que, em outras regiões da cidade, é possível encontrar etanol com preços um pouco abaixo da média.

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O empresário Octacílio Alves, de 55 anos, também observa uma diferença no valor, mas continua preferindo o etanol à gasolina por questões ambientais. “Gosto bastante por ser um combustível limpo, que deixa menos sujeira no ar, é renovável e valoriza a indústria nacional”, justifica.

Em Itatiba, no interior de São Paulo, Alves diz estar pagando R$ 4,19 no PIX para abastecer o carro dele com etanol. Há cerca de 20 dias, conta, o valor no mesmo posto era de R$ 3,80 - cerca de 10% mais baixo.

De acordo com a pesquisadora Ivelise Rasera Bragato, da Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, o avanço dos preços tem uma relação direta com a entressafra da cana, que reduz a oferta, e com a demanda aquecida no fim do ano.

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“Há uma oferta mais restrita no momento de entressafra no centro-sul. Na maior parte das unidades produtoras, a safra começa em abril e se estende até dezembro. A demanda também vem aquecida nos últimos meses. Em especial na semana passada, as distribuidoras vieram mais agressivas para o mercado, pensando na reposição dos volumes vendidos de combustíveis no Natal e no Ano Novo”, indica.

A pesquisadora também explica que o recente reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), válido desde 1º de janeiro, com um aumento de R$ 0,10 por litro no imposto da gasolina, acaba pressionando o etanol de maneira indireta.

Isso acontece porque o etanol anidro, usado na gasolina composta, segue a mesma tendência de alta, o que pressiona os dois combustíveis ao mesmo tempo. “O etanol hidratado está firme no segmento produtor, mas o etanol anidro, que vem da mesma matéria-prima, a cana-de-açúcar ou o milho, caminha também no movimento de ascensão”, diz Bragato.

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O uso do etanol traz ganhos ambientais, como uma menor emissão de gases do efeito estufa em comparação com os combustíveis fósseis. Por outro lado, a vantagem financeira, segundo os dados da ANP, existe atualmente apenas no Mato Grosso do Sul, onde o etanol ainda compensa mais do que a gasolina.