Professora é vítima de deepfake pornográfico na Bahia
Polícia investiga dois adolescentes em Feira de Santana por montagens íntimas contra professora; estado já soma 50 denúncias no ano

A Polícia Civil da Bahia investiga dois adolescentes, de 15 e 17 anos, suspeitos de criar e divulgar vídeos pornográficos falsos com o rosto de uma professora de 47 anos, na cidade de Feira de Santana, no interior do estado. A prática, conhecida como deepfake, utiliza inteligência artificial para manipular conteúdos em mídias digitais e inserir rostos reais em cenas de nudez e sexo que jamais ocorreram na vida real.
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A investigação aponta que um dos adolescentes suspeitos é aluno da própria professora. O computador utilizado para produzir o material manipulado foi identificado e apreendido pelas autoridades. As imagens adulteradas foram criadas a partir de uma foto convencional publicada pela docente em suas redes sociais e circularam em dois vídeos pornográficos falsos, alcançando quase 30 mil visualizações.
Em relato, a vítima descreveu o impacto emocional provocado pelas montagens digitais. "Por mais que você saiba que não é você, que é algo manipulado, há o constrangimento, porque você não escolhe. Quando eu penso, me vêm uns gatilhos e as sensações que eu tive: falta ar, falta chão. A intenção de quem fez é humilhar, atacar, vingar", afirmou a professora.
Casos crescem na Bahia e avançam por escolas do país
A polícia trabalha para localizar os dois adolescentes em Feira de Santana, município onde pelo menos 50 pessoas procuraram as delegacias apenas este ano para denunciar crimes de deepfake íntimo. O problema expõe um fenômeno crescente em ambientes escolares.
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Segundo dados de mapeamento nacional, mais de 170 estudantes e professores já foram vítimas de deepfakes com conteúdo sexual em instituições de ensino públicas e privadas espalhadas por dez estados brasileiros.
A legislação brasileira prevê sanções penais rígidas para quem produz, armazena ou compartilha material pornográfico falso ou sem consentimento. A pena prevista para quem produz e distribui esse tipo de conteúdo varia de 4 a 10 anos de prisão. A Polícia Civil prossegue com as diligências para concluir o inquérito e responsabilizar os autores das publicações.
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