Queda de mortes violentas no Brasil revela abismo entre as regiões em 2025
O país registrou recuo de 11% nos assassinatos no último ano, mas estados do Norte e Nordeste ainda mantêm taxas de criminalidade críticas.

O Brasil registrou uma queda de 11% no número de mortes violentas em 2025, na comparação com o ano anterior, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O levantamento, que consolida crimes como homicídios dolosos, latrocínios, feminicídios e lesões corporais seguidas de morte, aponta que o recuo ocorreu em 21 estados e no Distrito Federal.
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A redução nacional, no entanto, esconde uma disparidade regional profunda. Enquanto estados como Amazonas e Mato Grosso do Sul lideraram a queda nos índices, com reduções de 33% e 28%, respectivamente, outras unidades da federação enfrentaram um aumento da violência. Os piores cenários foram registrados no Tocantins, com alta de 17%, e no Rio Grande do Norte, que teve elevação de 14% nos casos.
O gargalo da violência no Norte e Nordeste
A análise detalhada por habitante revela que o Norte e o Nordeste concentram os índices mais alarmantes de letalidade. Com exceção de Sergipe, todos os estados dessas regiões possuem taxas de homicídios significativamente superiores à média nacional, que é de 15,9 mortes por cada 100 mil habitantes.
O Ceará lidera o ranking de violência com 32,60 mortes por 100 mil habitantes, seguido de perto por Pernambuco (31,61) e Alagoas (29,37). De acordo com o Jornal da Band, a dinâmica do crime organizado é o principal motor desses números elevados.
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Para o especialista em segurança pública Luiz Henrique Requião, a expansão das facções criminosas no Nordeste desde 2020 é um fator determinante. Ele explica que a posição geográfica da região é estratégica para o escoamento de drogas em direção à Europa e América do Norte através dos portos marítimos, o que intensifica o conflito entre grupos rivais.
No Norte, a situação é agravada pela diversificação das atividades ilícitas. Segundo o especialista Amadeu da Silva Soares Jr, facções como o PCC e o Comando Vermelho incorporaram grupos locais e passaram a atuar em frentes que vão além do tráfico de armas e drogas, incluindo minérios, pistolagem e pirataria.
O protagonismo de São Paulo e a inteligência investigativa
No extremo oposto da estatística, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste consolidam as menores taxas de mortalidade do país. São Paulo mantém o posto de estado menos violento, apresentando um índice de 5,4 mortes por 100 mil habitantes — quase três vezes menor que a média nacional.
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Outros estados que se destacam pelos baixos índices de violência são Santa Catarina (6,38), Distrito Federal (8,8) e Rio Grande do Sul (10,59). A redução nesses locais é atribuída, em grande parte, ao investimento em tecnologia e inteligência.
O especialista em Direito Penal Fauzi Hassan Choukr ressalta que o sucesso de estados como São Paulo reside no "protagonismo" do enfrentamento ao crime organizado. Para Choukr, a articulação entre inteligência policial, monitoramento financeiro e o uso de tecnologia de ponta é essencial para sufocar a estrutura que sustenta a atividade criminosa e garantir a queda sustentada dos homicídios.
