Quem compôs o Hino da Independência? Conheça os bastidores
“Brava gente brasileira, longe vá, temor servil.” Os versos do Hino da Independência atravessaram mais de dois séculos como um dos símbolos das comemorações

“Brava gente brasileira, longe vá, temor servil.” Os versos do Hino da Independência atravessaram mais de dois séculos como um dos símbolos das comemorações do 7 de Setembro. Embora a autoria oficial seja atribuída a Evaristo da Veiga e Dom Pedro I, os bastidores da criação envolvem duas melodias e uma história que nunca foi comprovada.
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Segundo o portal oficial da Presidência da República, Evaristo da Veiga é o responsável pela letra, enquanto Dom Pedro I aparece como autor da música executada atualmente.
A letra surgiu antes da Independência
Evaristo Ferreira da Veiga escreveu o poema em 16 de agosto de 1822, cerca de três semanas antes do Grito do Ipiranga. O manuscrito, formado originalmente por 11 quadras, recebeu o título de Hino Constitucional Brasiliense.
A data e o nome original da obra aparecem em documentos preservados pela Biblioteca Nacional. O acervo registra o manuscrito de Evaristo como uma produção de 16 de agosto de 1822.
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Os versos exaltavam a liberdade e defendiam a emancipação política do Brasil. O refrão antecipava o discurso que ficaria associado à declaração da Independência: “Ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil”.
Nascido no Rio de Janeiro em 1799, Evaristo da Veiga foi poeta, jornalista, político e livreiro. Ele também exerceu o cargo de deputado por Minas Gerais e tornou-se patrono da cadeira 10 da Academia Brasileira de Letras. As informações constam na biografia publicada pela ABL.
Hino teve uma primeira melodia
Antes de ganhar a música atribuída a Dom Pedro I, o poema de Evaristo recebeu uma melodia do maestro português Marcos Antônio da Fonseca Portugal, um dos compositores mais importantes da corte e professor do futuro imperador.
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Documentos analisados em uma pesquisa vinculada à Biblioteca Nacional apontam que essa primeira versão foi utilizada nas celebrações realizadas logo depois da Independência.
A existência da composição de Marcos Portugal indica que os versos de “Brava gente brasileira” já circulavam e eram cantados em 1822, mas com uma música diferente daquela conhecida atualmente.
Posteriormente, Dom Pedro I criou outra melodia para o mesmo poema. A versão composta pelo imperador acabou se consolidando como o atual Hino da Independência.
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Dom Pedro compôs o hino em 7 de setembro?
Uma narrativa popular afirma que Dom Pedro I teria criado a música na tarde de 7 de setembro de 1822, depois de retornar do Ipiranga. A composição teria sido preparada às pressas para uma apresentação naquela mesma noite, na Casa da Ópera de São Paulo.
A história, no entanto, não aparece nos jornais publicados em 1822 nem possui comprovação documental daquele período. A versão começou a circular décadas depois e ganhou força a partir de um texto publicado pelo historiador Eugênio Egas em 1909.
Uma pesquisa acadêmica publicada pela SciELO, baseada em documentos e partituras históricas, sustenta que a melodia de Dom Pedro provavelmente surgiu apenas em 1824.
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O registro mais antigo localizado pelos pesquisadores é de 13 de dezembro de 1824. Naquela data, o Diário Mercantil, do Rio de Janeiro, anunciou a venda da partitura de um “Hino Imperial e Constitucional” composto pelo imperador.
O estudo também aponta que o hino executado na noite do Grito do Ipiranga pode ter sido outra composição de Dom Pedro, criada em 1821, ou a versão dos versos de Evaristo musicada por Marcos Portugal. Por isso, o momento exato em que a melodia atual foi produzida permanece incerto.
Dom Pedro I também era músico
A autoria musical não seria apenas um gesto simbólico do imperador. Dom Pedro I recebeu formação artística e teve aulas com nomes como Marcos Portugal.
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O primeiro imperador do Brasil estudou instrumentos como cravo, flauta e violino, segundo material histórico da MultiRio. Ele também produziu outras obras musicais de caráter religioso e político.
Por que o hino deixou de ser executado?
O Hino da Independência perdeu espaço depois que Dom Pedro I abdicou do trono, em 1831. A forte associação da composição com o antigo imperador contribuiu para que a obra deixasse de aparecer regularmente em cerimônias oficiais.
A música voltou a receber destaque durante as comemorações do centenário da Independência, em 1922. Na ocasião, porém, também houve execuções da versão composta por Marcos Portugal.
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Na década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, uma comissão ligada ao Ministério da Educação e da Saúde trabalhou na padronização dos hinos brasileiros. Com a participação do maestro Heitor Villa-Lobos, a melodia de Dom Pedro I foi definida como a versão utilizada oficialmente.
