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Rabino: É caro. Mas os mortos daqui ressuscitarão

Uma cova no cemitério do Monte das Oliveiras, em Jerusalém, custa US$ 50 mil, ou R$ 255 mil

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24/02/2026 15:08 • Atualizado há 188 dias

Rabino: É caro. Mas os mortos daqui ressuscitarão

Uma cova no cemitério do Monte das Oliveiras, em Jerusalém, custa 50 mil dólares, ou 255 mil reais. E a procura é grande. Aqui estão enterrados profetas bíblicos, sábios, a avó do Rei Charles e a filha do faraó que se casou com o Rei Salomão, três mil anos atrás. Mas não é pela companhia de mortos ilustres que as três religiões monoteístas o veneram: é porque quem aqui está tem a promessa de ressuscitar com a chegada do Messias, de Jesus ou do Mahdi.

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O túmulo mais barato, numa subdivisão do cemitério, pode valer 20 mil dólares (103 mil reais), mas sem a vista, fantástica, mais para visitantes do que para os mortos: a cidade velha murada de um quilômetro quadrado, a mesquita Domo da Rocha com a cúpula dourada, o Muro das Lamentações -- e, ao lado, os montes Scopus e o da Corrupção (por idolatria) – é um cenário bíblico. Cerca de 400 enterros ainda são realizados por ano.

O Monte das Oliveiras tem 25 hectares, a rampa até o topo, dois quilômetros, e ele separa Jerusalém do Deserto da Judeia, a Leste. Em dias claros dá para avistar o Mar Morto. Ao tempo da soberania jordaniana, de 1948 a 1967, cerca de 40 mil túmulos, entre 150 mil, foram destruídos ou dessacralizados. Mas um coveiro de quarta geração, Abed Sayd, dotado de memória fotográfica, ajudou Israel a reconstituir os estragos.

O túmulo mais visitado é o do rabino norte-africano Ohr Hachaim (1696-1743), renomado talmudista e cabalista, popular entre a comunidade religiosa. O mais antigo, o da “filha do faraó”, assim mencionada, sem nome, em textos bíblicos, como em 1Reis 3:1 e 1 Crônicas 3:1. O casamento dela foi uma aliança política entre Egito e Israel, na qual a região de Gezer, entre Jerusalém e Tel Aviv, foi passada ao marido, o Rei Salomão.

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Os judeus enterrados no Monte das Oliveiras esperam o Messias (Mashiach), um descendente do Rei Davi que unificará o povo e despertará “os justos” da morte. Na Era Messiânica, todos os judeus exilados no mundo voltarão à Terra de Israel, o terceiro Templo Sagrado de Jerusalém será reconstruído e haverá paz mundial e prosperidade global.

Os cristãos rezam pelo retorno glorioso de Jesus à Terra para julgar os vivos e os mortos, o Juízo Final. E muitos acreditam que é chegada a hora, com o aumento de guerras, terremotos, fomes, pestes, iniquidade e perseguição -- os sinais dos tempos. Jesus vai liderar as forças divinas contra o Anticristo e estabelecerá o Reino de Deus, Novos Céus e Nova Terra. Daqui, de Getsêmani, ele partiu, e aqui voltará.

Os muçulmanos veem o aumento da ignorância religiosa, consumo de álcool, adultério, usura, mortes súbitas e terremotos como os “pequenos sinais” de que o Dia do Julgamento está próximo. Um líder justo, Mahdi, virá para restaurar a ordem e a justiça. Como os cristãos, eles preveem a vinda de Dajjal, o Anticristo, o falso Messias. Será a “Besta da Terra”, contra a qual Mahdi, auxiliado por Jesus, a derrotará. E o sol nascerá no Ocidente. Perto daqui, no Monte do Templo, Maomé subiu aos céus em seu cavalo alado.

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Um dos últimos políticos enterrados no Monte das Oliveiras foi Menachem Beguin, o primeiro-ministro que recebeu o presidente egípcio Anuar Sadat, em 1977, e os dois assinaram “a paz dos bravos”, a primeira entre Israel e um país árabe. Também aqui estão o Nobel de Literatura de 1966, Shai Agnon (1888-1970); os rabinos Yitzhak HaLevi Herzog (avô do presidente Isaac Herzog) e Abraham Isaac Kook, o primeiro da Palestina sob Mandato Britânico, e o “pai do hebraico moderno” Eliezer Ben-Yehuda.

O Monte das Oliveiras está numa área ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, a Cisjordânia, e cerca de 350 mil palestinos vivem na região, principalmente nos subúrbios de Ras Al-Amud e Silwan. Há 30 anos, colonos judeus, para quem essa terra lhes foi dada por Deus, a Judeia e Samaria, tentam criar novas colonias na área perto do cemitério. Uma delas, Maale Hazeitim (Oliveiras), abriga desde 2003 cerca de 200 famílias judias. O status final do território só será resolvido com a paz entre palestinos e israelenses. Talvez o Messias, Jesus e Mahdi cheguem antes.

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