São Paulo tem só 12% das salas de aula climatizadas, aponta Anuário da Educação
Levantamento mostra que estado mais rico do país enfrenta falhas em infraestrutura e aprendizagem

Mesmo sendo o estado mais rico do Brasil, São Paulo ocupa o segundo pior índice nacional de climatização das salas de aula: apenas 12% contam com ar condicionado. O dado é do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Todos Pela Educação, e reforça os desafios da infraestrutura escolar em território paulista.
Continua depois da publicidade
A pesquisa evidencia que a carência de equipamentos de climatização pode comprometer diretamente o aprendizado. O gerente de políticas educacionais da entidade, Ivan Gontijo, afirma que o tema deve ganhar prioridade em tempos de mudanças climáticas.
“São Paulo tem regiões muito quentes e cada vez mais aumentam as evidências de como o conforto térmico impacta na aprendizagem. É até algo óbvio: em um ambiente muito quente, é mais difícil se concentrar e manter a produtividade”, destaca.
Aprendizagem em níveis críticos
O estudo também analisou os resultados educacionais no estado. No 9º ano do Ensino Fundamental, apenas 22,7% dos alunos apresentam conhecimento adequado em Língua Portuguesa e Matemática. O índice reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à recomposição das aprendizagens.
“É preciso ajudar os estudantes que estão para trás a terem seus direitos de aprendizagem garantidos. Programas de reforço no contraturno, por exemplo, podem evitar que os baixos indicadores se perpetuem”, explica Gontijo.
Avanços na alfabetização e inclusão
Apesar das falhas em infraestrutura e desempenho, o Anuário aponta avanços em São Paulo. Entre 2023 e 2024, houve melhora no processo de alfabetização. Segundo Gontijo, no entanto, é necessário manter o ritmo de evolução, especialmente no apoio a crianças com deficiência.
Continua depois da publicidade
A legislação brasileira prevê a inclusão de alunos com necessidades especiais em classes regulares, mas o estado ainda enfrenta obstáculos na preparação dos professores para lidar com esse público.
“O desafio é que professores de português, matemática e outras disciplinas consigam trabalhar de forma efetiva com alunos da inclusão, que precisam de mais apoio e atividades customizadas. Essa formação ainda é insuficiente”, avalia o pesquisador.
Matrículas na pré-escola crescem
Outro dado positivo para São Paulo é a expansão da pré-escola. O Anuário mostra que 95% das crianças em idade correspondente estão matriculadas.
