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Tenente-coronel suspeito de feminicídio admite relação na noite do crime

Oficial preso afirma que teve relações sexuais com a vítima horas antes da morte; investigação aponta indícios de feminicídio e fraude na cena do crime

3 min

21/03/2026 15:05 • Atualizado há 218 dias

Tenente-coronel suspeito de feminicídio admite relação na noite do crime

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, afirmou em depoimento que manteve relações sexuais com a esposa horas antes da morte dela, a soldado Gisele Alves Santana, de 32. Segundo ele, o encontro ocorreu no sofá da residência do casal durante a noite — versão que contrasta com declarações anteriores, nas quais havia dito que o relacionamento estava em crise e sem intimidade desde agosto do ano passado.

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Preso preventivamente e acusado de feminicídio, o oficial nega ter matado a mulher. A reportagem apurou que os detalhes foram apresentados em depoimento prestado após a prisão, no último dia 18.

De acordo com sua versão, o casal estava em processo de separação e teria decidido ter relações “pela última vez”. Após o encontro, cada um teria ido dormir em quartos separados — situação que, segundo a investigação, já ocorria havia cerca de oito meses, após suspeitas de traição por parte dele.

Discussões foram relatadas

O militar também relatou discussões frequentes entre os dois, motivadas por ciúmes e questões financeiras. A defesa sustenta que não há contradição nos depoimentos. “É uma cronologia fática que não representa nenhuma inconsistência”, afirmou o advogado, classificando as novas informações como um complemento.

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Ainda segundo o relato do tenente-coronel, na manhã do suposto crime ele acordou por volta das 7h e decidiu formalizar a separação. Nesse momento, Gisele teria se exaltado e o empurrado para fora do quarto. Ele diz que foi tomar banho e, em seguida, ouviu um disparo. Ao ir até a sala, afirmou ter encontrado a esposa caída, com uma arma na mão.

Relatório da Polícia Civil mostra outra versão

No entanto, o relatório final da Polícia Civil de São Paulo aponta indícios de que o oficial teria alterado a cena do crime e manipulado o corpo da vítima antes de acionar o resgate. “Trata-se de prova que confirma, simultaneamente, a autoria do feminicídio e a prática de fraude processual”, diz o documento.

Com o avanço das investigações, a Justiça autorizou a exumação do corpo da policial. Exames periciais identificaram a presença de espermatozoides no canal vaginal, indicando relação sexual recente.

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Mensagens atribuídas ao tenente-coronel, anexadas ao processo, também apontam para um comportamento controlador. Em uma delas, ele afirma ser o “provedor” da casa e cobra submissão da esposa.

Gisele foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o marido, no Brás, região central de São Paulo. Ela chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada de helicóptero ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu. A causa da morte foi registrada como traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo.

Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como feminicídio. A Justiça tornou o oficial réu pelos crimes de feminicídio e fraude processual e decretou sua prisão preventiva.

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Na quinta-feira (20), o Superior Tribunal de Justiça negou o pedido da defesa para revogar a prisão. Os advogados informaram que analisam a decisão e não descartam recorrer.

*Com informações do Estadão Conteúdo.

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