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Brasil
Jornal da Noite

Trajetória do primeiro desembargador cego destaca luta por inclusão

A trajetória de Ricardo Tadeu Marques, o primeiro desembargador cego do país, evidencia a importância da inclusão social em um cenário onde pessoas com

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26/09/2026 08:00 • Atualizado há 29 dias

A trajetória de Ricardo Tadeu Marques, o primeiro desembargador cego do país, evidencia a importância da inclusão social em um cenário onde pessoas com deficiência ainda enfrentam tratamento desigual. Nomeado em 2009 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após escolha pelo quinto constitucional, o magistrado destaca que aprendeu a conviver e a acreditar em um sonho maior do que o imaginado para uma criança nascida em 1959. "A acessibilidade é convidar a pessoa com deficiência para ir à festa, mas a inclusão é trazê-la para dançar com todos", afirma o desembargador.

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Superação e conquistas em várias áreas

Além de Ricardo Tadeu Marques, que alcançou a realização pessoal ao se tornar um profissional do direito qualificado, pai e avô, outros exemplos de superação marcam a luta contra as barreiras impostas pela sociedade. Roni Machado formou-se em direito e aconselha aqueles que remam contra a maré, enquanto Débora Klassen tornou-se professora universitária para provar que pessoas com deficiência possuem um lugar e são capazes. Já Laura dos Santos e Paula tornaram-se artistas, contando com uma exposição imersiva dentro da Biblioteca Pública do Paraná para reforçar o direito de apreciação cultural como qualquer outro cidadão.

Marcos legais e barreiras institucionais

Durante sua atuação, Ricardo Tadeu Marques esteve presente na convenção da ONU que estabeleceu que a deficiência resulta de impedimentos físicos somados às barreiras impostas pela sociedade, documento posteriormente incorporado à Constituição Brasileira. No entanto, os avanços ainda esbarram em obstáculos cotidianos, que vão desde o preconceito na infância até o capacitismo no ensino e no mercado de trabalho. Dados do IBGE apontam que, entre 2020 e 2024, diminuiu o número de pessoas com deficiência eleitas para câmaras de vereadores e prefeituras, enquanto nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional foram apenas cinco eleitos. Em 2022, apenas 2,5% dos dois milhões e meio de cargos gerenciais no país eram ocupados por pessoas com deficiência.

Sonho por um país menos desigual

Diante do cenário de desigualdade, a busca por acessibilidade plena e integração continua sendo uma pauta central para assegurar que todos os brasileiros tenham espaço para estudar, trabalhar e existir. "Eu sonho com um Brasil melhor pra todos, inclusive para pessoas com deficiência. Mas pra todos nós. Um Brasil menos desigual, mais inclusivo", conclui o desembargador.

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