Câncer de pele pode começar com sinais discretos, alerta Dhiego Ramalho
“Existe uma associação muito forte entre câncer de pele e áreas expostas ao sol, mas isso não significa que o restante do corpo possa ser ignorado. A atenção

Uma pinta que mudou de formato, uma mancha recente, um nódulo que surgiu sem causa aparente ou uma lesão que começou a sangrar podem parecer alterações pequenas no dia a dia. Ainda assim, mudanças persistentes na pele merecem atenção, especialmente quando apresentam evolução ao longo do tempo.
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O médico Dhiego Ramalho Furtado, que atua com dermatologia clínica, cirúrgica e estética e acompanha pacientes com diferentes tipos de lesões cutâneas, observa que o medo do diagnóstico ainda leva muitas pessoas a adiar a procura por atendimento. Esse comportamento é particularmente sensível em regiões onde parte da população passou muitos anos exposta ao sol durante o trabalho, como ocorre em áreas do sertão nordestino.
“O câncer ainda é uma palavra que provoca muito receio. Muitas pessoas percebem uma alteração, mas demoram a procurar atendimento por medo do diagnóstico. O acolhimento é importante justamente para que o paciente entenda que investigar não significa antecipar um resultado ruim, mas buscar uma resposta no momento adequado”, afirma.
Mudanças na pele que merecem investigação
Uma lesão suspeita nem sempre causa dor ou apresenta aspecto grave desde o início. Por isso, conhecer o padrão habitual da própria pele pode ajudar a identificar mudanças que precisam ser avaliadas.
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Entre os sinais que merecem atenção estão o surgimento recente de pintas, manchas ou nódulos, alterações de cor ou formato, crescimento progressivo e episódios de sangramento. O histórico do paciente também contribui para a avaliação, incluindo exposição solar ao longo da vida e antecedentes familiares.
“O paciente não precisa tentar descobrir sozinho o que aquela lesão significa. O papel dele é perceber que houve uma mudança. Quando algo que não existia aparece, ou uma pinta passa a se comportar de maneira diferente, essa informação já é suficiente para justificar uma avaliação médica”, explica Dhiego.
A observação também não deve se limitar às áreas mais expostas ao sol. Algumas alterações podem surgir em regiões normalmente cobertas pelas roupas, o que reforça a importância de olhar a pele de maneira mais ampla.
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“Existe uma associação muito forte entre câncer de pele e áreas expostas ao sol, mas isso não significa que o restante do corpo possa ser ignorado. A atenção precisa ser global, principalmente quando surge uma lesão nova ou quando há uma mudança perceptível em algo que já existia”, acrescenta.
Como é feita a investigação de uma lesão suspeita
A análise começa com o exame clínico e a avaliação do histórico do paciente. Dependendo das características da lesão, o médico pode utilizar recursos complementares para aprofundar a investigação.
A dermatoscopia é um desses métodos. Com o auxílio de um aparelho específico, o profissional consegue observar estruturas da pele com mais detalhes. Em algumas situações, também pode ser indicada uma biópsia, com a retirada de uma amostra de tecido para análise laboratorial.
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Esses recursos não são utilizados de forma automática em todos os casos. A necessidade depende das características observadas durante a avaliação médica.
“Cada lesão exige um raciocínio próprio. Há casos em que o exame clínico e o acompanhamento são suficientes, enquanto outros precisam de uma investigação mais detalhada. O mais importante é não tratar todas as alterações da mesma forma, porque localização, aspecto, evolução e histórico do paciente interferem na conduta”, afirma.
Tratamento depende do tipo, da localização e da extensão
O tratamento do câncer de pele varia conforme o tipo da doença, o tamanho da lesão, a localização, a profundidade e as condições clínicas de cada paciente.
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Em determinados casos, a retirada cirúrgica pode fazer parte da estratégia terapêutica. O material removido pode ser encaminhado para análise histopatológica, que fornece informações relevantes sobre as características da lesão e auxilia na definição dos próximos passos.
Quando o quadro apresenta maior complexidade, outras especialidades médicas podem participar do acompanhamento.
“A cirurgia pode ter um papel importante, mas não existe uma resposta única para todos os pacientes. Existem lesões pequenas e bem delimitadas e existem quadros que exigem um planejamento mais amplo. A decisão precisa respeitar as características da doença e, sobretudo, a individualidade de quem está sendo tratado”, explica Dhiego.
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Essa atenção se torna ainda mais importante quando a lesão está localizada em regiões delicadas do rosto, como pálpebras, nariz ou orelhas. Nessas áreas, o planejamento precisa considerar não apenas a retirada da lesão, mas também a preservação das estruturas e de suas funções.
“Quando uma alteração está em uma região funcionalmente importante, o planejamento precisa ser cuidadoso. Quanto mais avançada a lesão, maior pode ser a complexidade do tratamento. Por isso, perceber uma mudança e procurar avaliação sem grandes atrasos pode fazer diferença na condução do caso”, pontua.
Prevenção vai além do protetor solar
O cuidado com a pele envolve um conjunto de hábitos. Reduzir a exposição solar excessiva, utilizar roupas adequadas, chapéus e outras barreiras físicas são medidas importantes, especialmente para quem trabalha por longos períodos ao ar livre.
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O protetor solar também integra essa rotina, mas não deve ser tratado como a única forma de proteção. Para Dhiego, a prevenção precisa começar antes que qualquer alteração apareça e deve fazer parte dos hábitos familiares desde cedo.
“O cuidado não pode começar apenas quando o paciente percebe uma lesão. Quem trabalha sob exposição solar frequente precisa incorporar medidas de proteção à rotina. Quanto mais cedo essa consciência estiver presente dentro das famílias, mais natural se torna a prevenção ao longo da vida”, diz.
Pessoas negras também precisam manter atenção às mudanças na pele. Embora a melanina ofereça proteção natural maior contra parte dos efeitos da radiação solar, isso não significa imunidade ao câncer de pele.
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Outro ponto relevante é o acompanhamento de quem já recebeu esse diagnóstico anteriormente. Após o tratamento, a observação da pele e o seguimento médico podem continuar sendo necessários, de acordo com as características individuais de cada caso.
“Depois de um diagnóstico, o paciente passa a conhecer melhor a própria pele e precisa manter esse olhar. O acompanhamento permite avaliar novas alterações e também reforçar hábitos de prevenção. Mais do que vigiar uma doença anterior, trata-se de construir uma relação contínua de cuidado”, afirma.
Medo e acolhimento também fazem parte do cuidado
Em regiões onde o acesso à informação médica ainda é desigual, o receio de um diagnóstico grave pode afastar o paciente do consultório. Para Dhiego, esse é um dos pontos em que a humanização deixa de ser apenas uma característica da relação médico-paciente e passa a ter impacto direto na qualidade da assistência.
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A escuta permite compreender não apenas a queixa clínica, mas também inseguranças, limitações e dificuldades que podem interferir no acompanhamento.
“Humanizar o atendimento não significa suavizar um diagnóstico ou evitar uma conversa difícil. Significa dar ao paciente espaço para entender o que está acontecendo, fazer perguntas e participar da própria condução do tratamento. Atenção, acolhimento e capacidade de resolver são, para mim, partes inseparáveis do cuidado médico”, conclui.
Quem é Dhiego Ramalho Furtado

Médico Dhiego Ramalho Furtado
Crédito: TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
Dhiego Ramalho Furtado nasceu em uma família simples do interior do Nordeste. Filho de agricultor e de professora, cresceu ouvindo dos pais que a educação poderia ampliar seus caminhos. Ainda criança, deixou sua cidade natal para morar em Fortaleza, onde viveu parte da juventude em um contexto de recursos limitados e conciliou estudo com trabalho.
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Antes de ingressar em Medicina, cursou Fisioterapia por cerca de três anos, mas decidiu retomar o projeto que carregava desde mais jovem. Após um período intenso de preparação, conseguiu aprovação em Medicina e iniciou a graduação em Garanhuns, em Pernambuco, transferindo-se posteriormente para Campina Grande, na Paraíba, onde concluiu a formação.
Depois de formado, optou por retornar ao sertão em vez de permanecer em grandes centros urbanos. Ao longo da carreira, trabalhou em diferentes frentes da assistência médica e buscou formação complementar em dermatologia clínica, cirúrgica e estética, além de estudos voltados à cirurgia dermatológica.
Com o crescimento da atuação profissional, também passou a investir na estruturação de serviços próprios de saúde. Hoje, mantém três clínicas e desenvolve um novo projeto de atendimento no sertão, com a proposta de ampliar o acesso da população local a consultas, exames e recursos diagnósticos.
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Sua atuação médica está concentrada no atendimento de doenças e alterações da pele, incluindo avaliação, investigação e tratamento de lesões cutâneas e acompanhamento de pacientes com câncer de pele.
A experiência de ter construído a carreira longe dos grandes centros também influencia a forma como conduz o atendimento. Dhiego defende uma prática baseada em escuta, acolhimento e continuidade do cuidado, sobretudo para pacientes que chegam ao consultório com medo, insegurança ou dificuldade de acesso à informação médica.
CRM: 23563/PE, 10576/PB
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Instagram: @drdhiegoramalhofurtado
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