Morre aos 95 anos o jornalista e escritor Zuenir Ventura, integrante da ABL
Autor de '1968: o ano que não terminou' deixa legado em coberturas políticas e sociais

O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, após mais de seis décadas dedicadas ao jornalismo brasileiro e à cobertura de episódios políticos e temas sociais.
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Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, e dois filhos: o jornalista Mauro Ventura e a editora Elisa Ventura, com quem mantinha uma relação próxima também na vida profissional.
Imortal da ABL e referência na imprensa
Membro da Academia Brasileira de Letras, Ventura ocupava desde 2014 a cadeira número 32, sucedendo o escritor Ariano Suassuna. Ele entrou para o grupo de imortais em eleição realizada em 30 de outubro daquele ano.
A atuação de Zuenir na imprensa se estendeu por mais de 60 anos, período em que assinou reportagens, colunas e livros que abordaram momentos decisivos da história recente do país e debates sobre direitos humanos.
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Da infância em Minas à sala de aula
Nascido em Além Paraíba, no interior de Minas Gerais, Zuenir exerceu diferentes funções antes de se firmar no jornalismo, como pintor de parede, office-boy, jogador de basquete e arquivista.
Ele se aproximou do meio acadêmico e literário ao tornar-se professor universitário e estudante de grandes nomes da cultura brasileira. Entre seus mestres estavam Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli.
Segundo relatos do próprio jornalista, essa convivência abriu portas para a carreira. O professor Celso Cunha o convidou para dar aulas de português, enquanto Hélcio Martins o indicou para trabalhar no arquivo da 'Tribuna da Imprensa', onde deu os primeiros passos na redação.
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Livro sobre 1968 e caso Chico Mendes
Em 1988, Zuenir publicou o livro '1968 - o ano que não terminou', em que revisita o período marcado por protestos estudantis e endurecimento do regime militar. A obra inspirou a minissérie 'Os anos rebeldes', exibida pela TV Globo, e o filme 'O homem que disse não', dirigido por Olivier Horn para a televisão francesa.
No início de 1989, Ventura viajou ao Acre como repórter especial para acompanhar a investigação do assassinato do líder seringueiro Chico Mendes. Dessa cobertura, surgiram reportagens premiadas e uma ligação pessoal que ele costumava destacar.
Prêmios e reconhecimento
Ao longo da carreira, Zuenir Ventura recebeu alguns dos principais prêmios de jornalismo do país, entre eles o Prêmio Esso e o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. O troféu do Herzog foi entregue pela viúva de Vladimir Herzog, amigo de Zuenir morto durante a ditadura militar.
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Sua trajetória se consolidou pela combinação entre reportagem, reflexão sobre o Brasil e presença em debates públicos, tanto na imprensa quanto na literatura.
