7 tornados em 6 dias: Sul tem procura por construção e abrigos residenciais
Construtoras e engenheiros reforçam imóveis e planejam cômodos protegidos diante da escalada de temporais na região
Após uma sequência de sete tornados em seis dias atingir os três estados da região Sul, construtoras e engenheiros passaram a investir em projetos especiais para reforçar casas e prédios contra ventos extremos, incluindo a criação de cômodos que funcionam como abrigos.
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Na madrugada deste sábado (7), um tornado em Palmeira das Missões, no Rio Grande do Sul, derrubou árvores, destelhou imóveis e deixou casas parcialmente destruídas. O episódio fechou a série de sete registros em menos de uma semana, com três ocorrências no território gaúcho, três em Santa Catarina e uma no Paraná.
Além dos tornados, temporais com chuva intensa, vento e descargas elétricas provocaram outros danos. Em Guaratuba, no litoral paranaense, um posto de combustíveis pegou fogo após ser atingido por um raio; equipes de emergência controlaram as chamas e não houve vítimas. A Defesa Civil investiga ainda a possível passagem de um tornado em Santo Augusto, no Noroeste gaúcho, onde ao menos 50 casas tiveram telhados danificados, e registrou estragos causados por granizo em municípios da Serra, como Bento Gonçalves e Caxias do Sul.
Sequência de tornados expõe fragilidade das construções
A sucessão de fenômenos extremos acendeu um alerta sobre a resistência das construções residenciais e comerciais na região. Para engenheiros civis ouvidos pela reportagem, mesmo em um país onde tornados não são tão comuns quanto em outras partes do mundo, a frequência recente de episódios graves reforça a necessidade de que os projetos considerem a chamada engenharia do vento.
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Segundo o engenheiro civil Aurélio Franceschi, novos empreendimentos já podem nascer preparados para enfrentar rajadas intensas. Ele explica que os projetos passam por ensaios em túnel de vento, onde maquetes em escala reproduzem o comportamento do prédio diante de diferentes direções e velocidades do ar, permitindo ajustar formato, materiais e pontos de fixação antes da obra sair do papel.
Em obras acompanhadas pela reportagem, empresas da construção civil reforçam pilares, vigas e ligações entre lajes e cobertura, buscando reduzir o risco de colapso parcial da estrutura e de desprendimento de telhados quando há ventos muito fortes, como os registrados nos tornados desta semana.
Imóveis antigos apostam em cômodos reforçados
Para imóveis já existentes, o desafio é maior. Conforme destaca o repórter Pedro Talin, especialistas afirmam que reformas podem aumentar a segurança das estruturas, principalmente ao reforçar a fixação de telhados e esquadrias nas paredes. Porém, essa adaptação costuma ser bem mais cara do que incorporar as soluções desde o projeto original.
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Uma alternativa mais viável para muitas famílias é concentrar os investimentos em apenas um cômodo da casa, que passa a funcionar como abrigo em situações de tornado ou temporais severos. A lógica é proteger vidas mesmo que parte da construção sofra danos significativos.
A engenheira civil Regina de Toni cita como exemplo a revisão de um conjunto habitacional originalmente previsto sem laje em todos os ambientes. O projeto foi alterado para incluir laje apenas nos banheiros, criando um espaço estruturalmente mais rígido, com maior capacidade de resistir a impactos de destroços e à ação do vento.
Normas técnicas, fiscalização e sistemas de alerta
Na avaliação de Regina, a atualização das normas técnicas pode contribuir para que novas casas já sejam construídas com requisitos mínimos de resistência a ventos extremos. Ela ressalta, porém, que não basta criar regras mais rígidas se muitas obras ainda não seguem integralmente as normas em vigor e carecem de fiscalização adequada.
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Em situações de risco de tempestade, os órgãos de Defesa Civil orientam a população por meio de sistemas de alerta e campanhas de prevenção. As recomendações incluem buscar locais protegidos, afastar-se de janelas, desligar equipamentos elétricos e, quando possível, utilizar cômodos internos mais reforçados como abrigo até a passagem do fenômeno.
Diante da possibilidade de novos eventos extremos, a combinação de projetos mais seguros, adaptação de imóveis antigos, cumprimento das normas e atenção aos avisos oficiais é vista por engenheiros e autoridades como o caminho para reduzir danos materiais e preservar vidas na região.
