Acidentes com bicicleta são mais comuns às sextas-feiras, mostra levantamento
Hospital Cajuru atendeu 180 ciclistas em seis meses; quase 80% eram homens

Levantamento do Hospital Cajuru mostra que 180 ciclistas foram atendidos após acidentes no primeiro semestre de 2026, em Curitiba.
Foto: Divulgação
Os acidentes de bicicleta levaram 180 ciclistas ao Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, apenas no primeiro semestre de 2026. O levantamento revela que quase 80% dos pacientes são homens, principalmente jovens entre 15 e 24 anos. Os atendimentos são mais frequentes às sextas-feiras e nos fins de semana, com maior concentração entre 17h e 21h.
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Apesar do número elevado, houve uma redução de 15,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 214 ciclistas foram atendidos na unidade, referência em trauma em Curitiba e na Região Metropolitana.
Os dados mostram ainda que as colisões entre bicicletas e automóveis estão entre as ocorrências mais registradas pelo Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran).
Colisões em cruzamentos estão entre os principais acidentes
Um levantamento do BPTran, que considera o período de janeiro a agosto de 2025 e 2026, mostra que as batidas em que bicicletas e outros veículos cruzam suas trajetórias estão entre os tipos de acidentes mais frequentes nos registros analisados.
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São situações comuns em cruzamentos e acessos, quando um veículo atravessa o caminho do outro e ocorre uma colisão lateral.
Em 2025, foram registrados 109 acidentes desse tipo. Neste ano, o número caiu para 84.
As ocorrências envolvendo bicicletas e automóveis representam a maior parcela desses registros, com 65 casos no ano passado e 58 em 2026.
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Homens jovens são maioria entre os ciclistas feridos
Os dados do Hospital Universitário Cajuru mostram que os homens representam quase quatro em cada cinco pacientes atendidos após acidentes de bicicleta.
Dos 180 ciclistas atendidos entre janeiro e junho deste ano, 142 eram homens, o equivalente a 78,9% dos casos. As mulheres somaram 38 atendimentos.
No primeiro semestre de 2025, foram 172 homens e 42 mulheres, totalizando 214 pacientes.
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A faixa etária de 15 a 24 anos concentra o maior número de atendimentos nos dois períodos. Foram 55 casos em 2025 e 50 neste ano.
Sextas-feiras e fim de tarde concentram atendimentos
Outro dado que chama a atenção é o horário dos atendimentos.
Segundo o Hospital Cajuru, a maior concentração ocorre entre 17h e 21h, principalmente às sextas-feiras e nos fins de semana.
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Para o médico emergencista Guido Bergamin, o movimento está relacionado ao aumento da circulação de veículos no fim do expediente e ao trabalho dos entregadores de aplicativos.
“É justamente o horário de saída do trabalho, quando a gente tem um aumento da circulação de pessoas e de veículos nas ruas, e também é um período de bastante movimento dos serviços de entrega por aplicativo, principalmente de comida”, explica.
Nos fins de semana, o aumento no número de pessoas que utilizam a bicicleta para lazer e atividade física também contribui para a concentração de atendimentos.
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Quais são os ferimentos mais comuns em acidentes de bicicleta?
Entre as principais preocupações dos médicos estão os traumatismos cranianos, especialmente quando o ciclista não utiliza capacete.
Fraturas nas mãos, punhos, braços, cotovelos, ombros e clavículas também aparecem com frequência.
Segundo o ortopedista Eduardo Novak, dos hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat, muitas dessas lesões acontecem quando o ciclista tenta se proteger durante uma queda.
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“A tendência é a pessoa colocar a mão na frente para se defender. Então ela quer proteger a parte central, que é a cabeça, o tórax, e aí ela leva a mão na frente e acaba se defendendo e, com a energia do trauma, tendo essas lesões”, explica.
O impacto contra o guidão ou outras partes da bicicleta também pode provocar ferimentos na região da bacia e dos órgãos genitais.
Em acidentes mais graves, as vítimas podem precisar de cirurgia e enfrentar um período prolongado de recuperação.
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Fraturas podem ser descobertas meses depois
Os médicos alertam que nem sempre os ferimentos provocados por uma queda de bicicleta são percebidos imediatamente.
Algumas fraturas podem causar dor nos primeiros dias e depois apresentar melhora, levando a pessoa a acreditar que não sofreu uma lesão grave.
Segundo Novak, há pacientes que descobrem uma fratura apenas meses depois do acidente.
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“Então o paciente fica com dor ali um ou dois dias, depois ela diminui. Por isso, ele só vai perceber que o osso está quebrado um mês, dois, três, às vezes seis meses depois”, afirma.
O diagnóstico tardio pode provocar complicações, como dor crônica, limitação dos movimentos e desgaste das articulações.
Por isso, os especialistas reforçam a importância de procurar avaliação médica após acidentes, principalmente quando há dor persistente ou dificuldade para movimentar alguma parte do corpo.
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Como evitar acidentes de bicicleta no trânsito?
O uso de capacete está entre as principais recomendações dos especialistas para reduzir a gravidade dos ferimentos.
Também é importante utilizar equipamentos de proteção, respeitar a sinalização e dar preferência aos espaços destinados às bicicletas.
O ortopedista Eduardo Novak orienta os ciclistas a manterem atenção constante e não presumirem que foram vistos pelos motoristas.
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“Esse é o principal, não considerar que a pessoa está te vendo”, destaca.
Para o emergencista Guido Bergamin, a prevenção depende também de quem dirige e da estrutura disponível nas cidades.
“O motorista precisa respeitar o ciclista, o ciclista precisa respeitar o pedestre e todos precisam entender que aquele espaço é compartilhado”, afirma.
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Segundo os especialistas, a combinação de respeito no trânsito, infraestrutura adequada e equipamentos de proteção pode reduzir a quantidade e a gravidade dos acidentes.
