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Bancada feminina da Assembleia do Paraná encolhe em 2027

Número de deputadas cai de 10 para 9; especialistas apontam obstáculos já na fase de candidaturas

3 min

06/10/2026 13:33 • Atualizado há 2 horas

A bancada feminina da Assembleia Legislativa do Paraná será menor a partir de 2027: das 54 cadeiras, apenas nove serão ocupadas por mulheres, resultado da eleição estadual realizada no último domingo.

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O percentual de 16% de representação feminina na Alep representa uma queda em relação à última legislatura, quando o Parlamento estadual contou com 10 deputadas, o maior número da história. A redução ocorre apesar de o eleitorado paranaense ser formado majoritariamente por mulheres.

Para especialistas, o problema começa antes da votação, ainda na formação das chapas. Eles apontam que a sub-representação feminina nas urnas reflete a baixa presença de mulheres entre os candidatos e a distribuição desigual de recursos de campanha.

Desafio já nasce nas candidaturas

Segundo a advogada Emma Palú Bueno, as mulheres ainda são minoria entre os nomes que disputam vagas no Legislativo estadual. “Elas representam cerca de 30% das candidaturas, e mesmo assim os recursos financeiros tendem a se concentrar nas campanhas dos homens”, afirma.

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Na avaliação da advogada, essa diferença na destinação de verbas dificulta o acesso das mulheres aos espaços de poder. “Quando a estrutura de campanha é menor, a chance de chegar ao Parlamento também diminui. O resultado nas urnas é consequência direta desse desequilíbrio”, ressalta Emma.

Extrema direita e novos nomes femininos

Para analistas, o avanço de partidos de extrema direita no país também ajuda a explicar o cenário de baixa representação feminina. No Paraná, a mulher mais votada para a Assembleia foi Jessicao, do PL, que recebeu cerca de 131 mil votos.

Aos 33 anos, Jessicao está no segundo mandato como vereadora de Londrina, no norte do estado, e agora migra para o Legislativo estadual. A nova bancada feminina da Alep também será marcada pela eleição de Miss Preta, do PT, primeira deputada estadual negra do Paraná.

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Aos 33 anos, a vereadora de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, obteve mais de 45 mil votos para a Assembleia. O resultado é considerado histórico por movimentos de mulheres negras, que veem na eleição dela um passo importante na diversificação da representação política.

Representação na Câmara e articulação entre mulheres

Na Câmara dos Deputados, em Brasília, o Paraná manteve o número de quatro mulheres eleitas, sem aumento da participação feminina na bancada federal do estado.

Mesmo diante de limites, Emma Palú Bueno defende que é preciso reconhecer o avanço que essas eleições representam. “Não é o cenário ideal, mas a presença de mais mulheres, de diferentes campos políticos e origens, precisa ser valorizada”, afirma.

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Ela destaca que essa diversidade não impede a formação de alianças em pautas comuns. “Elas podem divergir em muitos temas, mas tendem a se unir quando a agenda é a defesa dos direitos das mulheres. É nessa articulação que a representatividade ganha força”, conclui a advogada.