Cheia nas Cataratas: grades da passarela são retiradas em Foz do Iguaçu
Vazão chegou a quase 16 milhões de litros por segundo; medida de segurança busca preservar a estrutura da força da água.
Num dos pontos turísticos mais visitados do Brasil, a força da natureza impõe medidas urgentes de segurança. Nesta quarta-feira (14), a vazão das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, atingiu 15,8 milhões de litros por segundo, mais de dez vezes a média histórica.
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Com o aumento do volume de água, a passarela de visitação da Garganta do Diabo foi interditada e as grades de proteção começaram a ser retiradas. O trabalho foi realizado por técnicos, engenheiros e bombeiros civis, como parte dos procedimentos para preservar a estrutura.
A retirada das grades foi acompanhada pela reportagem da Band Paraná, que mostrou os cuidados adotados diante da força da correnteza.
Por que as grades da passarela das Cataratas foram retiradas?
Em entrevista à Band Paraná, André Franzini, gerente de sustentabilidade da concessionária responsável pelo parque, explicou que a retirada das grades é uma medida preventiva.
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Segundo Franzini, a operação tem como objetivo diminuir a resistência provocada pela água e preservar a estrutura da passarela, reduzindo os riscos durante o período de cheia.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informou que a medida faz parte de um plano de contingência previamente aprovado pelo órgão ambiental.
A avaliação de segurança considera não apenas o volume de água, mas também a velocidade da correnteza e os materiais carregados pelo rio, como galhos e troncos de árvores.
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"É importante ressaltar que mesmo em condições consideradas normais, quando a vazão do rio está relativamente baixa, é preciso que esse monitoramento seja realizado", destacou o ICMBio em nota oficial.
Quando a passarela das Cataratas será reaberta?
A recolocação das grades e a liberação da passarela dependerão da redução do volume de água e das condições de segurança.
Durante a reportagem, a Band Paraná informou que a previsão é aguardar a vazão cair pela metade antes da reinstalação das proteções.
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"A recolocação das grades na passarela e a liberação do local para os visitantes só vão acontecer depois que a vazão da água cair pela metade", destacou a reportagem da Band Paraná.
O monitoramento é realizado ao longo do curso do Rio Iguaçu, incluindo a região de Curitiba, onde estão suas nascentes.
O ICMBio ressalta que a avaliação técnica também considera a força da correnteza e o transporte de materiais que possam pressionar a estrutura.
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Apesar da interdição da passarela, o Parque Nacional do Iguaçu continua recebendo visitantes nas áreas liberadas.
Passarela das Cataratas já resistiu a vazão três vezes maior
A força da água registrada nesta quarta-feira impressiona, mas a passarela já enfrentou uma cheia ainda maior.
Em 2014, o Rio Iguaçu registrou uma vazão superior a 46 milhões de litros por segundo, quase três vezes o volume atual.
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Segundo o ICMBio, a estrutura permaneceu sem danos durante aquela cheia.
O órgão também esclareceu que a atual passarela das Cataratas começou a ser construída em 1992 e foi concluída no mesmo ano.
A construção foi executada pela empresa Marder, com fundações realizadas pelo geólogo Gerson Fungeo e responsabilidade de engenharia de Márcio Marcon.
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O instituto informou que não dispõe, neste momento, de documentação técnica organizada para confirmar informações sobre estruturas anteriores a 1992.
Cheias já afetaram mais de 600 famílias na fronteira
O aumento do volume dos rios também preocupa moradores da região de fronteira entre Brasil e Paraguai.
Nos últimos dias, as cheias afetaram mais de 600 famílias. Em menos de 24 horas, o nível do Rio Paraná subiu quase três metros.
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Em Foz do Iguaçu, 20 moradores precisaram deixar suas casas por causa da elevação das águas.
Confira a nota oficial completa do ICMBio
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade encaminhou uma nota à imprensa com esclarecimentos sobre a retirada das grades, os procedimentos de segurança e a estrutura da passarela das Cataratas do Iguaçu.
NOTA À IMPRENSA
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O Parque Nacional do Iguaçu informa que os procedimentos de contingência da passarela estão previstos em um plano previamente aprovado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O ICMBio fiscaliza e acompanha frequentemente a manutenção e as vistorias da passarela das Cataratas.
A concessionária Urbia Cataratas é responsável pela adoção de medidas operacionais previstas em protocolos de segurança, com base no monitoramento contínuo do rio Iguaçu. Essa avaliação considera conjuntamente a vazão do rio Iguaçu, a força da correnteza e a presença de materiais transportados pelo rio, como galhos e troncos de árvores. É importante ressaltar que mesmo em condições consideradas normais, quando a vazão do rio está relativamente baixa, é preciso que esse monitoramento seja realizado porque esses materiais podem ser transportados pela correnteza, e acabar levando ao acúmulo de detritos, forçando a estrutura da passarela.
Como referência histórica, durante a cheia de 2014 a estrutura da passarela das Cataratas do Iguaçu permaneceu sem danos, mesmo diante de uma vazão superior a 46 mil m³/s.
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O ICMBio informa que a estrutura atual da passarela de visitação das Cataratas do Iguaçu começou a ser construída em 1992 e foi entregue neste mesmo ano, e foi posteriormente aberta à visitação. A obra foi executada pela construtora Marder. Na época, o geólogo Gerson Fungeo executou as fundações e o engenheiro Márcio Marcon ficou responsável pela realização da obra. Atualmente, a empresa fundada por Fungeo – a Fungeo Fundações e Geologia Ltda – continua prestando serviços relacionados à estrutura da passarela.
O ICMBio informa, ainda, que o acervo documental do Parque Nacional do Iguaçu está em fase de organização e digitalização por meio de uma parceria com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Por este motivo, neste momento, não dispomos ainda de toda a documentação técnica necessária, organizada e digitalizada, para confirmar detalhes específicos sobre a construção da passarela, como materiais utilizados na obra. Da mesma forma, também não possuímos informações confirmadas sobre estruturas anteriores a 1992, parâmetros considerados no projeto original que indiquem limites de vazão estabelecidos anteriormente, tampouco informações sobre possíveis danos ocorridos durante cheias anteriores no rio Iguaçu.
