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Curitiba em 1822: como a cidade celebrou a Independência do Brasil

Curitiba tinha cerca de 220 casas, poucas ruas e uma população ainda fortemente ligada às atividades do campo quando o Brasil declarou a Independência de

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05/09/2026 18:19 • Atualizado há 41 dias

Curitiba em 1822: como a cidade celebrou a Independência do Brasil

Curitiba tinha cerca de 220 casas, poucas ruas e uma população ainda fortemente ligada às atividades do campo quando o Brasil declarou a Independência de Portugal, em 1822.

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Na pequena vila que mais tarde se tornaria a capital do Paraná, a chegada do novo Brasil foi marcada por casas iluminadas, missa solene, manifestações de apoio a Dom Pedro e tiros de mosquete no local onde hoje está parte do Centro Histórico.

Os registros da época ajudam a reconstruir como os curitibanos viveram um dos momentos mais importantes da história brasileira.

Casas iluminadas e festa pela Independência

Embora o 7 de Setembro tenha se consolidado como a data da Independência, uma das principais celebrações registradas em Curitiba aconteceu mais de um mês depois.

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Em 12 de outubro de 1822, Dom Pedro foi aclamado Imperador Constitucional do Brasil no Rio de Janeiro. A notícia também mobilizou a população de Curitiba.

Antes mesmo da comunicação oficial sobre a cerimônia, moradores já haviam tomado conhecimento da aclamação. Durante a noite, casas foram iluminadas e salvas foram realizadas como demonstração de comemoração.

No dia seguinte, autoridades, militares e moradores se reuniram para a solenidade.

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A ata da Câmara registra a presença de “Povo, tropa e mais Nobreza” e manifestações como “Viva a Independência do Brasil”, “Viva a Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Brasil” e “Viva o Imperador Constitucional do Brasil o Senhor Dom Pedro Primeiro”.

O documento também registra uma expressão que atravessaria a história brasileira: “Independência ou Morte”.

Missa e mosquetes na atual Praça Tiradentes

A celebração também passou pela Igreja Matriz.

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Antes da cerimônia política, foi realizada uma missa solene acompanhada de um sermão relacionado ao momento vivido pelo país. Depois, ocorreu a oração Te Deum, tradicional celebração de ação de graças.

No encerramento, a tropa de cavalaria posicionada diante da Matriz e dos antigos Paços do Concelho realizou três descargas de mosquetaria.

A região onde a comemoração aconteceu corresponde ao entorno da atual Praça Tiradentes, que naquele período era conhecida como Largo da Matriz.

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Curitiba tinha cerca de 220 casas

Um relato feito pelo naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, que esteve em Curitiba em 1820, ajuda a imaginar o cenário encontrado pelos moradores poucos anos antes da Independência.

A vila tinha aproximadamente 220 casas. Eram construções pequenas, geralmente de apenas um pavimento e muitas delas feitas de pedra.

A praça pública era ampla e coberta de grama.

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Boa parte da população vivia das atividades agrícolas e frequentava a área urbana principalmente aos domingos e em dias santos.

Curitiba, no entanto, já começava a ganhar importância administrativa. Desde 1812, era sede da Comarca de Curitiba e Paranaguá, função que anteriormente pertencia à cidade litorânea.

Na época da Independência, a região ainda fazia parte da Província de São Paulo.

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Caminho do gado dava importância à região

Curitiba também ocupava posição estratégica nas rotas econômicas que conectavam o Sul ao restante do território brasileiro.

O trânsito de tropas e, principalmente, de gado pelos Campos Gerais fazia da região um ponto importante na ligação entre o Rio Grande do Sul e os mercados do Centro-Sul.

O professor de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Luiz Geraldo da Silva explica que Curitiba fazia parte desse caminho comercial.

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“Curitiba foi o primeiro caminho fundamental desse gado, que seguia em direção à Feira de Sorocaba.”

Essa posição econômica também ajuda a compreender o cenário político vivido na região durante o processo de Independência.

Câmara de Curitiba declarou apoio a Dom Pedro

Os documentos da época mostram que a celebração não se restringiu a uma festa.

A Câmara de Curitiba também se posicionou ao lado de Dom Pedro na disputa política contra as Cortes de Lisboa.

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A ata registra que representantes do povo e da tropa declararam disposição para defender o imperador e a Assembleia Constituinte.

Dias depois, em 16 de outubro, a Câmara recebeu um ofício vindo do Rio de Janeiro sobre a necessidade de garantir liberdade política a Dom Pedro diante das pressões portuguesas.

Curitiba decidiu então enviar manifestações ao imperador e ao Senado da Câmara do Rio de Janeiro.

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Segundo Luiz Geraldo, as regiões brasileiras não tinham necessariamente a mesma posição diante da disputa.

“Havia uma tendência prevalecente nas províncias do norte a se apoiar às cortes de Lisboa. Enquanto havia uma tendência prevalecente aqui no sul a se apoiar o príncipe.”

Padre curitibano participou do 7 de Setembro em São Paulo

Um curitibano também aparece nos registros relacionados diretamente ao 7 de setembro de 1822.

O padre Ildefonso Ferreira Xavier, nascido em Curitiba em 1795, vivia em São Paulo naquele período.

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Na noite da Independência, durante uma apresentação no Teatro da Ópera, ele teria subido em uma cadeira diante do camarote de Dom Pedro e gritado três vezes:

“Viva o primeiro rei do Brasil”.

A participação do sacerdote foi lembrada durante as comemorações do centenário da Independência, em 1922, quando uma homenagem foi instalada na Praça Santos Andrade.

A peça original foi restaurada e levada ao Memorial de Curitiba. Uma réplica permanece na praça.

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Curitibano foi escolhido para encontrar o imperador

A participação da vila no novo cenário político continuou nos dias seguintes.

Em 26 de outubro de 1822, a Câmara escolheu um representante para encontrar Dom Pedro.

O escolhido foi o alferes Cândido Marcondes Ribas, natural de Curitiba e que naquele momento vivia no Rio de Janeiro.

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Ele recebeu a missão de representar a Câmara e os moradores da vila, felicitar Dom Pedro pela chegada ao trono e prestar homenagem ao novo imperador.

Cândido Marcondes Ribas também se tornaria conhecido pela descendência. Ele foi avô do médico sanitarista Emílio Ribas, que décadas depois teve papel de destaque no combate a epidemias no Brasil.

O que os registros mostram sobre Curitiba em 1822

As atas não permitem afirmar como cada morador da vila recebeu a Independência. Os documentos foram produzidos pelas autoridades daquele período e devem ser interpretados dentro desse contexto.

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Ainda assim, os registros revelam como a ruptura com Portugal chegou à vida pública da pequena Curitiba.

Casas iluminadas, celebrações religiosas, tropas reunidas e tiros de mosquete fizeram parte da forma como a vila marcou sua entrada no Brasil independente.

As informações históricas, atas e documentos utilizados nesta reportagem foram divulgados pela Prefeitura de Curitiba.

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