Curitiba envelhece e inclusão digital vira desafio para pessoas idosas
Capital já tem mais moradores com 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de até 14 anos
Há três meses, Regina Madrigal, de 74 anos, e o marido começaram a fazer aulas para aprender a usar melhor o celular.
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Mais do que fazer ligações, os dois passaram a conhecer outras funções do aparelho e perceberam que estar inserido no meio digital se tornou parte da rotina.
“É ruim, é bem ruim. Você fica assim perdido mesmo, né. Falei: não, tem que aprender isso pra saber melhor das coisas, saber onde eu estou, o que fazer, tem que se conectar”, contou Regina.
Envelhecimento muda realidade de Curitiba
A inclusão digital é apenas um dos desafios enfrentados por pessoas idosas.
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Curitiba já tem mais moradores com mais de 60 anos do que crianças e adolescentes de até 14 anos. O índice de envelhecimento da população da capital está acima da média nacional e projeções indicam que, até 2050, um quarto dos moradores será formado por pessoas idosas.
Para a socióloga Marisete Hoffmann, o avanço dessa parcela da população exige políticas públicas capazes de considerar diferentes realidades.
“Então nós precisamos olhar pra quem são essas pessoas, considerar que essas pessoas não são um grupo homogêneo. Existe uma heterogeneidade em torno do envelhecimento. Não é porque você faz 60 anos que, a partir desse momento, você é uma pessoa idosa. Sim, a partir de agora você é considerado uma pessoa idosa no Brasil e passa a ter alguns direitos. Mas existe uma diferença entre a pessoa que está idosa com 60 anos, saudável, a pessoa que está ativa com 80 anos, saudável, e a pessoa que não está”, afirmou.
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Qualidade de vida vai além da longevidade
O envelhecimento da população também amplia demandas em áreas como saúde física e psicológica, economia, mercado de trabalho e infraestrutura urbana.
O desafio, segundo especialistas, não é apenas garantir que as pessoas vivam mais, mas que consigam chegar à velhice com autonomia, convivência social e qualidade de vida.
“Que nós possamos olhar para as pessoas idosas e garantir que elas tenham essa possibilidade de continuar sociabilizando, de continuar desenvolvendo atividades de forma geral”, disse Marisete.
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Aprender para continuar conectado
Para Regina, o aprendizado com o celular representa uma forma de manter a autonomia e acompanhar as mudanças da sociedade.
“Estar ligado ali, ver o que pode fazer, o que não pode, mas não parar. Viver. Viver, é isso mesmo. Tem que viver”, afirmou.
