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Especialistas alertam para impacto de conteúdos de IA em crianças

Plataformas de vídeo somam 16 mil horas de uso infantil no Paraná em 30 dias, enquanto psicólogos pedem supervisão

3 min

27/10/2026 14:47 • Atualizado há 1 hora

Especialistas em tecnologia e saúde mental infantil alertam para os riscos do consumo intenso de conteúdos gerados por inteligência artificial e de vídeos em plataformas digitais por crianças e adolescentes, em um cenário de uso crescente de telas em todo o país.

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Telas e conteúdos de IA em rotina infantil

Filmes, séries e desenhos estão disponíveis em inúmeros serviços de vídeo sob demanda, que hoje fazem parte da rotina de muitas famílias. Em diversos casos, os responsáveis controlam o tempo de uso dos aparelhos, mas deixam em segundo plano a análise da qualidade do que é exibido.

Segundo Daniella Biselli, head de produto da plataforma Watch TV, apenas no Paraná perfis infantis somaram mais de 16 mil horas de reprodução nos últimos 30 dias. Ela explica que os pais podem configurar senhas e bloquear perfis adultos para tentar garantir um ambiente digital mais seguro aos pequenos.

Para a executiva, esses recursos precisam ser combinados à participação ativa dos adultos na escolha dos títulos. Na visão dela, é fundamental observar a classificação indicativa e avaliar se o conteúdo, inclusive quando envolve ferramentas de inteligência artificial, é adequado à faixa etária da criança.

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Cérebros em desenvolvimento e vulnerabilidade

Conforme apontam especialistas em psicologia infantil, o cérebro das crianças menores ainda não distingue com clareza ficção e realidade. Essa imaturidade torna o público infantil mais vulnerável a narrativas envolventes e a estímulos comerciais presentes em vídeos, jogos e outros formatos digitais.

Segundo a psicóloga Bianca Berlim Zambon, por causa da idade, as crianças ainda desenvolvem o autocontrole e, sem o acompanhamento de adultos, podem permanecer por horas em frente às telas. Ela destaca que muitas delas não conseguem diferenciar entretenimento de publicidade, o que amplia a influência das campanhas e dos produtos anunciados.

"O excesso de estímulos pode impactar diretamente o comportamento infantil e a forma como a criança lida com desejos de consumo, frustrações e regras da casa", afirma Bianca.

Na avaliação da especialista, essa combinação de exposição prolongada, conteúdos altamente atrativos e uso de inteligência artificial na produção e distribuição dos materiais exige atenção redobrada dos responsáveis. Ela recomenda estabelecer horários definidos, conversar sobre o que foi assistido e explicar de forma simples o que é propaganda.

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Orientação aos pais e uso de ferramentas

Os especialistas reforçam que, embora as plataformas ofereçam mecanismos de controle, eles só funcionam quando os adultos aprendem a utilizá-los e acompanham o que os filhos assistem. A indicação é revisar periodicamente os perfis, monitorar histórico de visualização e ajustar filtros sempre que necessário.

A orientação geral é que famílias priorizem conteúdos educativos, adequados à idade e que estimulem o diálogo em casa. Para os profissionais, discutir desde cedo a diferença entre ficção e realidade, entre entretenimento e publicidade, ajuda a fortalecer a segurança infantil em um cenário marcado pela presença constante das telas e pelo avanço da inteligência artificial.

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