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Famílias sem teto ocupam prédios da União em bairro nobre de Curitiba

Movimento de Luta nos Bairros diz que imóvel estava vazio desde 2017 e critica especulação imobiliária

3 min

03/11/2026 14:17 • Atualizado há 1 hora

Famílias ligadas ao Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) ocuparam dois prédios da União em uma região nobre de Curitiba no fim de semana, na Avenida Paraná, no bairro Cabral, e pretendem permanecer no local até conseguir acesso a uma moradia definitiva.

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Os imóveis ficam em um ponto movimentado da cidade, próximo ao terminal de ônibus do Cabral e cercados por comércios. Desde a última sexta-feira, o conjunto de prédios passou a abrigar moradores vindos de diferentes bairros da capital e da região metropolitana que dizem não ter condições de pagar aluguel.

As famílias organizaram a ocupação em dois blocos, rebatizados de Dandara e Zumbi dos Palmares. Segundo o MLB, o objetivo é pressionar por políticas públicas de habitação popular e chamar a atenção para o número de imóveis vazios em áreas centrais.

Prédio abandonado desde 2017

São dois prédios com 16 apartamentos no total. De acordo com os organizadores, o último morador deixou o local em 2017 e, desde então, a estrutura ficou abandonada.

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Nesse período, o imóvel foi tomado por usuários de drogas e se deteriorou. Agora, os integrantes do movimento fazem mutirões de limpeza e pequenas reformas para tentar adaptar os espaços, onde cerca de 50 famílias devem viver até que surja uma alternativa permanente.

Coordenador estadual do MLB, Filipe dos Santos afirma que o prédio já pertenceu ao INSS e depois foi transformado em residencial. Ele relata que uma construtora comprou o imóvel e o deixou vazio. Para ele, o caso é exemplo de "especulação imobiliária", enquanto famílias seguem sem teto.

Condições precárias e histórias pessoais

Dentro dos apartamentos, a estrutura ainda é improvisada. Na cozinha comunitária, as famílias preparam um café da manhã simples, com doações e alimentos compartilhados. Falta energia regular, colchões e móveis básicos.

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Entre as novas moradoras está Dona Valdete, de 62 anos, que preferiu não divulgar o sobrenome. Ela deixou a casa em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, depois que uma enchente atingiu o imóvel e decidiu se juntar à ocupação no Cabral.

Na visão de Valdete, o custo do aluguel impede o retorno a uma moradia formal. Ela conta que "para conseguir pagar um aluguel hoje, a pessoa tem que ganhar uns R$ 3 mil" e diz que essa renda está distante da realidade da família.

Outra ocupação e reação do entorno

O MLB já mantém outra ocupação em Curitiba, onde vivem 32 famílias, também em imóveis desocupados. A ação no bairro Cabral, porém, é recente e já chamou a atenção de quem passa pela região.

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Segundo Filipe dos Santos, a reação dos vizinhos é dividida. Ele relata que "tem vizinho que apoia, traz doação, e tem vizinho que reclama", mas afirma que o movimento tenta manter diálogo com a comunidade do entorno.

Os prédios ocupados ficam em um terreno federal e ainda exibem placas que indicam a vinculação com a União. Em outras áreas próximas, imóveis semelhantes já foram alvo de decisões de reintegração de posse.

Medo da saída e esperança de moradia

Mesmo cientes da possibilidade de uma ordem judicial para desocupação, as famílias dizem que não têm para onde ir. Elas defendem que o espaço, hoje fechado, seja destinado a programas habitacionais.

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Conforme relata Dona Valdete, a prioridade é ter um lugar para ficar com segurança até que surja uma solução definitiva. "Enquanto não tiver um lugar fixo, eu fico aqui", resume a moradora.

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