Gaeco mira facção que trocava drogas por apoio a projeto de lei
Operação Umbra II apreende celulares, armas e planilhas que ligam grupo a campanha por flexibilização de regras
O Núcleo Regional de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, deflagrou nesta quarta-feira (28 de outubro de 2026) a segunda fase da Operação Umbra, que investiga facção suspeita de trocar drogas por assinaturas para projeto de lei sobre visitas íntimas em presídios.
Continua depois da publicidade
Mandados e cidades alvo
Na Umbra II, o Gaeco cumpriu sete mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão em municípios do código de área 43, no Norte do Paraná, e em cidades de São Paulo. O grupo é investigado por tráfico de drogas, comércio de armas de fogo e controle disciplinar dos integrantes.
As buscas, autorizadas pelo Juízo das Garantias da 5ª Vara Criminal de Londrina, incluíram unidades prisionais em Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, além de Avaré e Marília. O objetivo é apreender celulares, drogas, armas, dinheiro e documentos, e os suspeitos poderão responder por favorecimento ao domínio social estruturado e tráfico de drogas.
Comando e atuação da facção
De acordo com as investigações, a estrutura regional da facção era comandada por dois irmãos. Um atuava como "Geral da Região 43", responsável pela disciplina interna, pela intermediação das ordens da cúpula e pela gestão da estrutura no Norte do Paraná, enquanto o outro ocupava o posto de "Final 100% do Estado do Paraná", encarregado da supervisão financeira e operacional das atividades ilícitas.
Continua depois da publicidade
Os demais investigados executariam funções como contabilidade da organização, coordenação de pontos de venda de drogas, gestão do chamado "tribunal do crime" e negociação de armas de fogo de grosso calibre, inclusive fuzis, segundo o Gaeco.
As apurações indicam que parte dos suspeitos já estava presa em unidades do sistema penitenciário do Paraná e de São Paulo, mas continuava exercendo funções na facção. Mesmo privados de liberdade, eles teriam repassado orientações, negociado armamentos e administrado o fluxo de drogas com linhas telefônicas em nome de terceiros.
Assinaturas por visitas íntimas
Um dos pontos centrais da investigação é a campanha de coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que buscava flexibilizar regras para visitas íntimas e conjugais em presídios. Mensagens apreendidas indicam meta de alcançar 290 mil assinaturas em todo o país.
Continua depois da publicidade
Para incentivar a adesão, integrantes do grupo distribuíam porções de drogas a pessoas que apresentassem listas com assinaturas, em prática chamada internamente de "trabalho de revertimento". Planilhas apreendidas detalham a quantidade de drogas disponibilizada por cada ponto e, em um dos documentos, cada grama de cocaína equivalia a oito assinaturas para o projeto.
Ligação com duplo homicídio
O material reunido pelo Gaeco também aponta possível participação de dois investigados em um duplo homicídio em 2024, em Rolândia, no Norte do Paraná. Segundo a linha investigativa, o crime teria sido cometido em nome da facção contra um homem ligado a grupo rival, ocasião em que uma criança também foi morta.
Um dos suspeitos nessa ação fugiu para o Paraguai e é considerado foragido da Justiça. O Ministério Público afirma que as investigações continuam para detalhar o papel de cada integrante e o alcance da atuação do grupo na região.
