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Imagens sexuais falsas de crianças feitas com IA acendem alerta

Denúncias de imagens de abuso infantil cresceram 19,3% em 2025; Ministério da Justiça pediu bloqueio de 80 sites.

5 min

06/11/2026 17:34 • Atualizado há 1 hora

Imagens sexuais falsas de crianças feitas com IA acendem alerta

Uso de inteligência artificial para criar imagens sexuais falsas de crianças e adolescentes preocupa especialistas em proteção à infância.

Foto: Divulgação

A inteligência artificial está sendo utilizada para criar imagens sexuais falsas de crianças e adolescentes, inclusive a partir de fotografias comuns, nas quais as vítimas aparecem vestidas. A prática preocupa especialistas em proteção à infância e amplia os riscos de exposição, ameaças e chantagem no ambiente digital.

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Em 2026, o Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitou o bloqueio de 80 sites que oferecem ferramentas capazes de produzir esse tipo de conteúdo. Segundo a Secretaria Nacional de Direitos Digitais, algumas plataformas analisadas não exigem cadastro, identificação do usuário ou verificação de idade.

O alerta ocorre em meio ao aumento das denúncias de violência sexual infantil na internet. Dados da SaferNet Brasil mostram que, em 2025, foram recebidas 63.214 denúncias de imagens de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, crescimento de 19,3% em relação a 2024.

A organização aponta o uso da inteligência artificial como um dos fatores que contribuíram para o aumento. Os números, porém, abrangem diferentes formas de abuso e não apenas imagens produzidas com a tecnologia.

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Como a inteligência artificial pode ser usada para criar imagens falsas?

Ferramentas de inteligência artificial generativa conseguem alterar fotografias e produzir imagens sexualizadas de pessoas que nunca participaram das situações representadas.

No caso de crianças e adolescentes, esse conteúdo pode ser utilizado para constranger, ameaçar, chantagear ou expor as vítimas.

O Centro Marista de Defesa da Infância (CMDI) alerta que o fato de a imagem ser falsa não diminui a gravidade da violência.

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Segundo a analista de projetos do CMDI, Cecília Landarin, o avanço da tecnologia exige novas estratégias de prevenção, envolvendo famílias, empresas e órgãos públicos.

“A tecnologia muda a forma como a violência pode ocorrer e amplia seu alcance em larga escala, mas a proteção integral é uma responsabilidade compartilhada entre família, sociedade e Estado”, afirma.

A especialista também defende que a educação digital seja acompanhada de diálogo e orientação.

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“O foco não pode estar na restrição de uso, mas na proteção na internet, não dela”, acrescenta.

Pesquisa aponta que 19% dos adolescentes sofreram violência sexual online

O estudo Disrupting Harm in Brazil, realizado pelo UNICEF Innocenti, pela ECPAT International e pela Interpol, revela a dimensão da violência sexual facilitada pela tecnologia.

Segundo a pesquisa, 19% das crianças e adolescentes de 12 a 17 anos que utilizam a internet sofreram exploração ou abuso sexual facilitados pela tecnologia durante um período de um ano. O percentual representa aproximadamente 3 milhões de pessoas.

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O levantamento também mostra que, em 49% dos casos, o responsável pela violência era alguém conhecido da vítima.

Outro dado preocupante é que 34% dos entrevistados não contaram a ninguém sobre o que aconteceu.

Entre os participantes, 3% relataram que alguém utilizou inteligência artificial para produzir conteúdo sexual com sua aparência.

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Meninas são maioria entre as vítimas registradas

Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2025, foram registradas 4.063 vítimas em ocorrências relacionadas à produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil.

Desse total, 84,2% eram meninas.

A maior concentração ocorreu entre adolescentes de 14 e 15 anos, que representaram 30% das vítimas. Em seguida aparecem as crianças e adolescentes de 12 e 13 anos, com 27%.

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Esses números não se referem exclusivamente a imagens produzidas com inteligência artificial, mas ajudam a dimensionar a violência sexual contra crianças e adolescentes.

Crianças e adolescentes já utilizam inteligência artificial

O avanço da tecnologia também aparece nos hábitos digitais dos jovens brasileiros.

Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 65% dos usuários de internet com idades entre 9 e 17 anos já utilizaram ferramentas de inteligência artificial generativa.

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O levantamento também identificou que 10% recorreram a essas ferramentas para conversar sobre problemas pessoais ou emoções.

Para o Centro Marista de Defesa da Infância, os dados mostram a importância de preparar crianças, adolescentes e responsáveis para reconhecer situações de risco.

“Crianças e adolescentes precisam reconhecer situações de risco em diferentes ambientes digitais, enquanto os adultos precisam saber como prevenir, manter o espaço de diálogo aberto e se preparar para agir da melhor forma quando uma situação de violência é revelada”, afirma Cecília Landarin.

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O que fazer quando uma criança é vítima de violência digital?

O Centro Marista de Defesa da Infância orienta que pais e responsáveis acolham a criança ou o adolescente sem julgamentos ou acusações.

O medo, a vergonha e a preocupação com a reação dos adultos podem impedir que as vítimas contem o que aconteceu.

Segundo Cecília Landarin, é fundamental ouvir o relato com atenção, oferecer segurança e não tentar conduzir uma investigação por conta própria.

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“Não cabe à criança ou ao adolescente provar o que aconteceu, nem ao adulto conduzir uma investigação por conta própria”, orienta.

A especialista também destaca que as situações devem ser comunicadas aos órgãos responsáveis, mesmo quando ainda existe apenas a suspeita de violência.

O objetivo é permitir que os serviços de proteção adotem as medidas necessárias e ofereçam acompanhamento às vítimas.

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O que diz a lei sobre imagens sexuais falsas criadas com IA?

A produção e a circulação de imagens sexualizadas envolvendo crianças e adolescentes podem configurar crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), inclusive quando o conteúdo é produzido ou manipulado por inteligência artificial.

Segundo o Centro Marista de Defesa da Infância, a Lei nº 15.487/2026 estabelece medidas de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, incluindo situações que envolvem o uso de tecnologias digitais.

A legislação também prevê atendimento psicológico e psicossocial especializado às vítimas e testemunhas.

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Outra norma destacada pela organização é o ECA Digital, Lei nº 15.211/2025, que estabelece obrigações de proteção para serviços digitais utilizados ou acessados por crianças e adolescentes.

Entre as medidas estão mecanismos de verificação de idade e configurações de privacidade mais protetivas.

Para os especialistas, a prevenção não deve depender apenas da vigilância dos pais. As plataformas digitais e o poder público também precisam atuar para reduzir os riscos.

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A orientação é combinar educação digital, diálogo familiar e mecanismos de proteção para garantir que crianças e adolescentes possam utilizar a internet com segurança.

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