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Inclusão de pessoas com deficiência avança, mas desigualdades persistem

Dados do IBGE apontam baixa ocupação, salários menores e obstáculos como o capacitismo no acesso a vagas

3 min

24/09/2026 14:31 • Atualizado há 30 dias

Inclusão de pessoas com deficiência avança, mas desigualdades persistem

Dados recentes do IBGE indicam que o mercado de trabalho para pessoas com deficiência cresceu no Brasil, mas ainda apresenta baixa ocupação, salários menores e obstáculos ligados ao preconceito, segundo especialistas da área de inclusão.

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Mercado cresce, mas ocupação segue baixa

Em 2022, o nível de ocupação entre pessoas com deficiência chegou a 29%, conforme o IBGE. O patamar permanece bem abaixo do grupo formado por trabalhadores sem deficiência, com diferença de quase 27 pontos percentuais.

No mesmo recorte, mulheres com deficiência representaram a menor parcela ocupada em relação aos homens. A pesquisa também mostrou que a remuneração média desse público ficou 71% abaixo do rendimento de trabalhadores sem deficiência.

Para especialistas em inclusão, os números evidenciam que a expansão das vagas ainda não se traduz em igualdade de condições. Barreiras estruturais, falta de acessibilidade e práticas discriminatórias limitam o acesso e a permanência de pessoas com deficiência em empregos qualificados.

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Capacitismo ainda é obstáculo central

Um exemplo dessa realidade é a trajetória de Débora Klassen, hoje professora universitária. Ela relata que o caminho até conquistar espaço na academia foi marcado por recusas e dificuldades relacionadas ao fato de ser uma pessoa com deficiência.

“O que prevalece na sociedade de hoje, em pleno século XXI, é o capacitismo. A pessoa olha para a deficiência e julga a gente incapaz, antes de conhecer as potencialidades. A deficiência não define quem nós somos; é apenas uma característica, é a minha característica”, afirma a professora.

Na avaliação de Débora, o olhar baseado no capacitismo faz com que a deficiência seja vista antes das competências profissionais. Ela defende que reconhecer as capacidades e as diferenças é condição básica para uma inclusão efetiva.

Para a coordenadora de inclusão Leomar Zuravski, muitas empresas ainda não aproveitam plenamente o conhecimento técnico de trabalhadores com deficiência, mesmo quando eles têm formação superior.

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“Então são colocados muito em linha de produção, nas fábricas, em contextos que já não são o ideal para pessoas com nível superior, às vezes com pós e tudo mais”, observa Leomar.

Desafios nas empresas e na política

Os dados do IBGE também mostram que a presença de pessoas com deficiência em cargos eletivos permanece reduzida. Entre 2020 e 2024, caiu o número de vereadores e prefeitos com deficiência, e apenas cinco candidatos foram eleitos para Assembleias Legislativas ou para a Câmara dos Deputados.

Segundo o técnico do IBGE Vinicius Staub, o tipo de deficiência e o nível de gravidade influenciam diretamente as possibilidades de inserção no mercado de trabalho.

“Existem deficiências em vários níveis, leves, moderadas e severas, e a dificuldade de acesso ao mercado de trabalho varia muito. As adaptações são diferentes e, muitas vezes, passam só pelo preconceito; em outras, exigem mudanças maiores. A boa vontade em relação a isso faz muita diferença”, avalia Staub.

Conforme apontam os especialistas, parte das barreiras poderia ser superada com ajustes relativamente simples nos ambientes de trabalho e com uma mudança de postura por parte de gestores e colegas, que ainda tendem a subestimar o potencial das pessoas com deficiência.

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Educação e mudança de cultura

Para Leomar Zuravski, a transformação passa pela educação e também pela revisão de práticas nas empresas.

“Vamos trabalhar muito na educação, mas também no nível do empresariado brasileiro, para abolir essa ideia do capacitismo e entender que a pessoa com deficiência, com suas diversidades, pode agregar muito valor à empresa e ensinar muito aos seus colegas”, defende a coordenadora.

Entre um “não” e outro, pessoas com deficiência seguem buscando formação, experiência e espaço em diversas áreas. Na visão de Débora Klassen, essa perseverança é fundamental para abrir caminhos e inspirar outras trajetórias.

“Até mesmo os ‘nãos’ me fortaleceram na mulher que sou hoje e posso ser voz para outras pessoas com deficiência: sim, é possível, nós temos um lugar, somos capazes e podemos ocupar os lugares que queremos”, conclui a professora universitária.

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