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Medo de golpe faz brasileiro evitar atender o celular

Estelionatos digitais crescem, Paraná lidera tentativas de fraude e Anatel prepara endurecimento nas regras

3 min

21/10/2026 14:29 • Atualizado há 3 horas

Em meio ao avanço dos golpes por telefone, 83% dos brasileiros dizem ter medo de cair em fraudes ao atender o celular, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cenário que se reflete em estados como o Paraná, onde os casos de estelionato digital cresceram quase 30%.

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Chamadas abusivas viram rotina

Ligações comerciais abusivas, mensagens automáticas e tentativas de golpe já fazem parte da rotina de grande parte da população.

O bancário José Lucas Aschet relata que recebia diversas chamadas indesejadas ao longo do dia e que esse incômodo o levou a buscar uma solução tecnológica.

Ele passou a usar um aplicativo que identifica padrões suspeitos e bloqueia automaticamente números associados a spam, telemarketing agressivo ou possíveis fraudes, reduzindo o volume de chamadas que chegam ao seu aparelho.

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Segundo José, após a instalação do sistema, o celular passou a tocar menos, e ele se sente mais seguro para atender quando o número é reconhecido e autenticado.

Ligações mudas e validação de números

Outro tipo de ligação que preocupa especialistas é aquela em que a pessoa atende e não ouve ninguém do outro lado da linha.

Para Adrian Galeti, vice-presidente de tecnologia e inovação e CISO, esse tipo de chamada pode ser usado para validar se o número está ativo, mapear horários em que o usuário costuma atender e até gravar a voz da pessoa para uso em golpes que envolvem clonagem de identidade.

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Galeti explica que sistemas de proteção já conseguem identificar esse padrão e barrar automaticamente ligações silenciosas, impedindo que os criminosos consigam completar essa etapa de preparação.

Com isso, as ligações se consolidam como porta de entrada para crimes digitais, que muitas vezes evoluem para fraudes bancárias, roubo de dados pessoais e invasão de contas.

Paraná lidera tentativas de fraude

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 83% da população afirma temer golpes pelo celular, índice que acompanha a escalada dos casos de estelionato digital em vários estados.

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No Paraná, os números chamam atenção: os registros de estelionato digital aumentaram quase 30%, e o estado ocupa a liderança na região Sul em tentativas de fraude, conforme aponta o delegado da Polícia Civil do Paraná, Reinaldo Zequinão Neto.

Na visão do delegado, o uso massivo do celular para operações bancárias, compras e comunicação profissional ampliou a superfície de ataque dos golpistas, que se valem tanto de ligações quanto de aplicativos de mensagem para abordar as vítimas.

Ele avalia que a combinação entre tecnologia de bloqueio e campanhas de conscientização é essencial para reduzir os índices de crimes digitais e aumentar a confiança da população ao atender o telefone.

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Anatel endurece regras para operadoras

Para conter abusos e coibir fraudes, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vai endurecer as regras para ligações, a partir de medida provisória editada pelo governo federal.

As operadoras terão de garantir que o número exibido na tela do celular corresponda de fato à empresa responsável pela chamada, por meio de mecanismos de autenticação, o que deve dificultar o uso de linhas mascaradas por criminosos.

Chamadas não autenticadas deverão ser bloqueadas pelas redes e haverá limite para a quantidade de ligações curtas que cada linha poderá realizar por dia, medida que mira principalmente disparos em massa usados por call centers e golpistas.

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Segundo Reinaldo Zequinão Neto, essas mudanças buscam atingir ao mesmo tempo práticas empresariais consideradas abusivas e estratégias de estelionatários, criando um ambiente mais seguro para quem precisa usar o telefone no dia a dia.

Enquanto as novas regras não entram em vigor, especialistas em segurança digital recomendam que usuários mantenham cuidado ao atender números desconhecidos, utilizem ferramentas de bloqueio e desconfiem de qualquer pedido de dados pessoais ou financeiros feito por telefone.

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