Mel de Capanema recebe Indicação Geográfica; Paraná chega a 29 selos
Denominação de Origem reconhece produção familiar que reúne cerca de 5 mil colmeias e 60 toneladas por ano

Mel de Capanema é a 29.ª Indicação Geográfica do Paraná e movimenta o turismo na região Foto: Carina Pelegrini
O mel de Capanema, produzido no Sudoeste do Paraná, conquistou nesta terça-feira (20) o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Com o novo registro, o Paraná chega a 29 produtos com Indicação Geográfica e mantém a liderança nacional. Ao todo, o Brasil e os produtos estrangeiros registrados no país somam 183 reconhecimentos.
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O mel recebeu o selo na modalidade Denominação de Origem (DO), concedido a produtos cujas características e qualidades estão diretamente relacionadas às condições naturais e humanas de determinada região.
Em Capanema, o diferencial está na interação das abelhas com a flora nativa da Mata Atlântica, preservada no entorno do Parque Nacional do Iguaçu, na fronteira entre o Brasil e a Argentina.
Capanema produz 60 toneladas de mel por ano
A apicultura faz parte da história de Capanema há mais de 50 anos e tem forte presença da agricultura familiar.
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Atualmente, produtores vinculados à Associação de Apicultores de Capanema e Região (Apic) mantêm aproximadamente 5 mil colmeias e produzem 60 toneladas de mel anualmente.
Além de abastecer o mercado regional e os estabelecimentos turísticos próximos ao Parque Nacional do Iguaçu, o produto é comercializado em outros estados, como São Paulo e Rio Grande do Sul.
O pedido de reconhecimento junto ao INPI foi apresentado pela própria associação, que reúne os produtores locais.
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Produção de mel também atrai turistas
Além da comercialização, a produção de mel começa a ganhar espaço entre as atividades turísticas de Capanema.
Alguns apiários já recebem visitantes interessados em conhecer as colmeias, acompanhar o processo de extração e entender como o produto é preparado para o consumo.
Segundo Cleiton Lagemann, presidente da Apic, as visitas guiadas já integram o roteiro turístico do município.
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“Já fazemos parte da rota turística do município e a tendência é que com a Indicação Geográfica essa atividade seja cada vez mais ampliada”, afirma.
Para Salete Manchini, proprietária do Apiário Manchini, o turismo pode representar uma nova fonte de renda para as famílias que trabalham com a apicultura.
A expectativa dos produtores é que o reconhecimento nacional amplie a visibilidade do mel de Capanema e atraia novos consumidores e visitantes.
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Paraná é destaque nacional na produção de mel
O reconhecimento chega em um momento de crescimento da produção de mel no Estado.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Paraná foi o segundo maior produtor de mel do Brasil em 2025, com 10,7 mil toneladas, um crescimento de 7,1% em relação ao período anterior.
Em valor de produção, o Estado liderou o ranking nacional, com R$ 217,7 milhões, alta de 17,1%. O resultado representou 17,9% do valor produzido no país.
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O mel de Capanema passa a integrar a relação de produtos apícolas com reconhecimento de origem que abrangem o território paranaense.
Entre os registros anteriores estão:
- Mel de Ortigueira: reconhecido em 2015.
- Mel do Oeste do Paraná: certificado em 2017, abrangendo 48 municípios.
- Mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil: reconhecimento concedido a Santa Catarina em 2021, incluindo 12 municípios paranaenses.
- Mel de Capanema: reconhecido em outubro de 2026.
Paraná conquistou sete Indicações Geográficas em 2026
Com o novo reconhecimento, o Paraná soma sete registros de Indicação Geográfica conquistados somente em 2026.
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Além do mel de Capanema, receberam o reconhecimento:
- Cervejas artesanais de Guarapuava
- Pão no bafo de Palmeira
- Couro de peixe de Pontal do Paraná
- Ginseng de Querência do Norte
- Café da Serra de Apucarana
- Tortas de Carambeí
Em 2025, outros oito produtos paranaenses conquistaram o selo, incluindo a carne de onça de Curitiba, as broas de centeio da capital, o queijo colonial do Sudoeste e a cracóvia de Prudentópolis.
O reconhecimento de Indicação Geográfica identifica a origem dos produtos e pode ampliar as oportunidades comerciais, além de valorizar a história e as características das regiões produtoras.
