MP denuncia quatro PMs por roubo a caminhoneiro no Paraná
Vara da Justiça Militar de Curitiba recebe ação da Operação Rapina e mantém restrições a policiais afastados

O Ministério Público do Paraná, por meio do Núcleo de Curitiba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou quatro policiais militares por suspeita de roubo qualificado praticado durante o serviço contra um caminhoneiro. A ação penal, ligada à Operação Rapina, foi recebida pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Criminal de Curitiba nesta quinta-feira (20 de agosto).
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Segundo o Ministério Público, os denunciados compunham a guarnição de uma viatura policial e, armados, abordaram um motorista de caminhão-cegonha no pátio de um posto de combustíveis às margens da rodovia BR-376. Eles teriam utilizado a condição funcional para abordar a vítima durante o expediente.
Como teria ocorrido o crime
Conforme as investigações, os fatos teriam ocorrido em 26 de setembro de 2025. Com o emprego ostensivo de arma de fogo e grave ameaça, os policiais teriam obrigado o caminhoneiro a conduzir o veículo de carga até um local ermo, restringindo a liberdade da vítima.
Nesse local, de acordo com a apuração, os agentes do Estado teriam subtraído aparelhos celulares transportados no caminhão, para proveito próprio. Não houve, segundo o Gaeco, qualquer registro formal ou apreensão que conferisse aparência de legalidade à ação.
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A denúncia imputa aos quatro policiais a prática de roubo qualificado, crime previsto no artigo 242 do Código Penal Militar, em razão do uso de arma de fogo, do concurso de pessoas e da restrição da liberdade da vítima.
O que diz o Ministério Público
Em áudio divulgado pelo Ministério Público do Paraná, o promotor de Justiça Fernando Cubas César detalhou os fundamentos da acusação.
"O Ministério Público do Estado do Paraná ofereceu denúncia contra quatro policiais militares, imputando-lhes a prática do crime de roubo, com causas de aumento, por ter sido praticado em concurso de pessoas, mediante uso de arma de fogo e com restrição de liberdade. Eles teriam praticado o crime no exercício da função, ao abordar o caminhoneiro às margens da BR-376, no pátio de um posto de combustível, e obrigá-lo a seguir a viatura policial até um local ermo, oportunidade em que realizaram a subtração da carga que estava sendo transportada. A denúncia já foi recebida pela Vara da Auditoria Militar e o processo agora segue o trâmite regular", afirmou o promotor.
Medidas cautelares mantidas
Com o recebimento da ação penal, a Justiça Militar manteve as medidas cautelares diversas da prisão que haviam sido fixadas em fevereiro de 2026. Os denunciados seguem afastados das atividades operacionais.
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Entre as restrições impostas estão a proibição do uso de fardamento e de armamento, seja da corporação ou particular, além da suspensão de acessos a sistemas de investigação policial. Os réus também não podem se ausentar da comarca sem autorização judicial e devem comparecer a todos os atos processuais.
Indenização e apuração administrativa
Além da responsabilização na esfera penal militar, o Ministério Público requereu que a Justiça fixe um valor mínimo de R$ 50 mil a título de indenização por danos morais em favor do caminhoneiro.
O Gaeco também solicitou o compartilhamento do procedimento investigatório com a Corregedoria da Polícia Militar do Paraná, para permitir a apuração administrativa dos fatos e a investigação de eventuais outros crimes que possam ser identificados no curso do processo.
