MPPR denuncia cinco por crimes em clínica de Terra Roxa, no Paraná
Investigação aponta internações contra a vontade das pacientes, castigos e trabalho compulsório.
Cinco pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por suspeita de crimes de tortura, sequestro e cárcere privado em uma clínica terapêutica de Terra Roxa, no Oeste do Paraná. Segundo as investigações, o estabelecimento mantinha 72 mulheres internadas, muitas delas contra a própria vontade, submetidas a castigos, restrições de visitas familiares e trabalho compulsório.
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A denúncia foi apresentada pela Promotoria de Justiça de Terra Roxa e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), de Umuarama, após a Operação Aurora, realizada em 15 de setembro de 2026.
Entre os denunciados estão o proprietário da clínica, que permanece preso desde a operação, a administradora, o coordenador terapêutico, uma terapeuta com funções de coordenação e um médico do estabelecimento.
Os quatro primeiros foram denunciados por sequestro e cárcere privado. O médico foi denunciado pelo crime de tortura.
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Mulheres eram mantidas na clínica contra a própria vontade, aponta MPPR
De acordo com o Ministério Público, a clínica recebia mulheres com dependência química, transtornos mentais, pessoas idosas e com deficiência.
As investigações apontam que muitas pacientes eram internadas por decisão de familiares ou terceiros, sem manifestação da própria vontade e sem laudo médico.
Segundo a denúncia, os contratos eram assinados apenas pelos responsáveis pela contratação e estabeleciam previamente o período de permanência.
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A saída das mulheres também estaria condicionada ao pagamento de mensalidades e de multa pelo encerramento antecipado do contrato.
O procedimento era chamado pela clínica de "alta administrativa".
Portões trancados, celulares retidos e castigos
Ainda segundo o MPPR, as pacientes eram submetidas a uma série de restrições que dificultavam ou impediam a saída do estabelecimento.
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Os investigadores identificaram indícios de portões fechados, quartos e corredores trancados durante a noite e retenção de aparelhos celulares.
As ligações telefônicas também seriam limitadas e monitoradas.
O Ministério Público aponta que a clínica utilizava um sistema de punições, incluindo a prorrogação do período de internação como castigo.
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As pacientes também teriam sido submetidas a trabalho compulsório e restrições de contato com familiares.
Clínica não teria cumprido exigências legais para internações
A denúncia também aponta irregularidades nos procedimentos de internação.
Segundo o Ministério Público, o estabelecimento não observava as exigências legais previstas para internações voluntárias, involuntárias e compulsórias.
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A clínica não teria médico psiquiatra nem diretor técnico médico e também deixava de comunicar as internações ao Ministério Público, conforme os requisitos legais aplicáveis.
Os investigadores sustentam que as pacientes eram mantidas por períodos definidos em contratos, com critérios financeiros influenciando a permanência no estabelecimento.
Ministério Público pede indenização às vítimas
Além da responsabilização criminal dos cinco denunciados, o MPPR solicitou à Justiça a condenação dos investigados ao pagamento de indenizações por danos morais e materiais às vítimas.
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O proprietário da clínica permanece preso desde setembro. A denúncia não informa a situação de eventual prisão dos outros quatro investigados.
A apresentação da denúncia representa uma acusação formal do Ministério Público, e os envolvidos ainda não foram condenados pelos crimes investigados.
