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Pacientes com câncer denunciam troca de hospital em Curitiba

Beneficiários da Amil relatam mudança sem consentimento; operadora afirma que migração é opcional

4 min

22/10/2026 20:26 • Atualizado há 3 horas

Pacientes em tratamento contra o câncer em Curitiba denunciam que foram surpreendidos com a transferência do atendimento para outro hospital, sem autorização. Segundo os relatos, a mudança foi comunicada por mensagens de texto e ligações telefônicas, mesmo quando os beneficiários já realizavam o tratamento em outra instituição.

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Em uma das conversas apresentadas à reportagem da Band Paraná, uma atendente do Hospital Erasto Gaertner informou a uma paciente que havia recebido uma solicitação do plano de saúde para dar continuidade ao tratamento oncológico.

A paciente respondeu que não concordava com a mudança. A atendente, então, explicou que a decisão havia partido do plano de saúde. Segundo a orientação repassada, as consultas e o acompanhamento continuariam com a mesma médica, mas a aplicação dos medicamentos passaria a ser realizada no Hospital Erasto Gaertner.

Em outro caso, uma paciente que preferiu não ser identificada relatou ter recebido uma ligação informando que o plano de saúde daria continuidade ao tratamento, mas que a medicação só seria liberada no Erasto Gaertner.

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A situação provocou preocupação entre os pacientes, principalmente pelo receio de alterações no atendimento durante o tratamento contra o câncer.

"Por ser essa doença, você já tem o seu psicológico abalado. Aí começa o plano de saúde a fazer esse tipo de coisa, ainda mais no meio do tratamento. E eu vou ter que parar, passar para outro hospital, com outra medicação, porque o plano não quer", desabafou uma das pacientes.

Mais de 400 reclamações registradas na ANS

Segundo as informações apresentadas à reportagem, mais de 400 reclamações foram registradas na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Os pacientes questionam a mudança de hospital por determinação do plano de saúde, mesmo sem concordarem com a transferência.

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A advogada Renata Farah, especialista em direito à saúde, explica que o beneficiário tem o direito de escolher entre os serviços que fazem parte da rede credenciada contratada.

"O beneficiário, quando contrata o plano de saúde, tem um leque à disposição e é ele quem vai decidir qual serviço vai utilizar dentre aqueles contratados. Então, não é o plano que vai dizer: 'Você pode usar esse e não pode usar aquele'. Se estiver com o credenciamento ativo, cabe ao beneficiário sempre escolher", afirmou.

Segundo a especialista, a substituição de um hospital da rede credenciada precisa seguir regras específicas, incluindo a comunicação antecipada aos beneficiários nos casos de descredenciamento.

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Durante o processo de transferência, também surgiram reclamações sobre possíveis falhas na proteção de dados pessoais. Pacientes relataram situações em que informações teriam sido encaminhadas a destinatários incorretos, levantando questionamentos sobre o compartilhamento de dados entre instituições de saúde.

Renata Farah orienta que os pacientes procurem a ANS caso não concordem com a mudança, especialmente se o hospital de origem continuar credenciado ao plano.

"Se houver uma interrupção do tratamento ou uma demora na autorização ou no fornecimento desse tratamento, buscar o Poder Judiciário, ir até o Ministério Público ou à Defensoria Pública, para que não haja interrupção e não haja prejuízo à saúde desse paciente", explicou a advogada.

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Pacientes temem atrasos no tratamento contra o câncer

Uma das maiores preocupações dos pacientes é a possibilidade de interrupções ou atrasos na aplicação dos medicamentos.

Uma mulher que enfrenta o câncer contou que a previsão inicial era concluir as sessões de quimioterapia em dezembro. No entanto, por causa de atrasos nas liberações, os ciclos de tratamento devem se estender até janeiro de 2027.

Além da preocupação com os prazos, ela afirma que a relação de confiança construída com os profissionais de saúde também pesa na decisão de permanecer na mesma instituição.

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"Eu já estou acostumada com o pessoal. O pessoal lá é super bacana. Estou acostumada com o médico. Eu falei assim: mas agora eu vou simplesmente sair de onde estou? É um lugar em que eu não sei nem com quem vou conversar, começar do zero de novo. Eu quero começar e terminar aqui", relatou.

O que dizem a Amil e os hospitais

Procurada pela reportagem da Band Paraná, a Amil afirmou, em nota, que "a mudança em curso está em conformidade com a legislação e que a operadora está oferecendo a seus beneficiários em tratamento a opção de realizar ou não a migração".

A operadora também informou que "registrou apenas duas demandas na ouvidoria e que elas já estão sendo tratadas".

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O Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), onde parte dos pacientes realiza o tratamento, afirmou que "segue credenciado no plano de saúde e está fazendo todos os esforços para acolher, amparar e resolver os problemas de todos os pacientes impactados".

O Hospital Erasto Gaertner também foi procurado pela reportagem, mas informou que não vai se pronunciar sobre o caso.

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