Eleições 2026Contagem regressiva para o 2º turno
0dias
:
00horas
:
00min
:
00seg
Paraná
Paraná

Paraná coleta DNA de 50% dos presos e amplia solução de crimes

Estado alcança 16 mil detentos com perfil genético em banco nacional e mira 70% da população carcerária até dezembro.

3 min

07/07/2026 14:05 • Atualizado há 109 dias

Paraná coleta DNA de 50% dos presos e amplia solução de crimes

O Paraná alcançou neste ano a marca de 16 mil detentos com material genético coletado, o equivalente a 50% da população carcerária do estado, em trabalho realizado nas 119 unidades prisionais, segundo a Secretaria de Segurança Pública.

Continua depois da publicidade

Os perfis genéticos desses internos alimentam um banco nacional de DNA, usado para comparar marcas biológicas de locais de crime com registros de condenados e auxiliar na elucidação de homicídios, estupros e outros delitos.

No estado, os trabalhos se intensificaram desde o início do ano. A coleta ocorre em todas as regiões, com equipes das polícias Científica, Penal e Civil atuando de forma integrada para ampliar rapidamente o número de perfis disponíveis.

Segundo Saulo Sanson, secretário de Segurança Pública, os agentes recolhem saliva com swab bucal e enviam as amostras aos laboratórios da Polícia Científica, que extraem o perfil genético e o incluem no sistema nacional.

Continua depois da publicidade

Banco de DNA ajuda a desvendar casos antigos

Para Ciro Pimenta, diretor-geral da Polícia Científica do Paraná, o cruzamento desses dados é fundamental para identificar suspeitos em investigações em andamento e em crimes antigos. Nas cenas de crime, peritos coletam sangue, sêmen e outros vestígios biológicos, depois comparados com os registros de condenados.

Um dos exemplos citados pela corporação é o caso da menina Raquel Genofre, morta em 2008. À época, o corpo da criança de 10 anos foi esquartejado e encontrado dentro de malas na rodoviária de Curitiba, sem que a autoria fosse identificada.

A identificação do responsável ocorreu em 2019, quando o perfil genético de um homem preso por outro delito coincidiu com o material coletado no local. O match de DNA permitiu apontar o autor e concluir a investigação mais de uma década após o crime.

Continua depois da publicidade

No ano passado, o Paraná registrou o segundo maior número de coincidências de DNA entre os estados brasileiros, segundo a Polícia Científica. Em 2026, já foram 27 matches, sendo 15 apenas no último mês, o que reforça o impacto da ferramenta nas investigações.

Legislação e meta de chegar a 70% dos presos

Conforme explica Ciro Pimenta, mudanças na legislação ampliaram o número de condenados obrigados a fornecer material genético, incluindo quem cumpre pena em regime fechado, o que aumentou o universo de internos aptos a ter perfis no banco.

Atualmente, a população carcerária do Paraná é de cerca de 32 mil pessoas, e metade delas já teve material coletado. A Secretaria de Segurança Pública afirma que pretende intensificar os mutirões de coleta ao longo do ano para aumentar essa cobertura.

Continua depois da publicidade

Na avaliação de Saulo Sanson, ampliar o banco de perfis genéticos é estratégico para a segurança pública. O secretário indica que a meta é alcançar ao menos 70% da população carcerária com material coletado até o fim do ano, o que, segundo ele, deve elevar ainda mais o número de delitos solucionados a partir de evidências biológicas.

Paraná coleta DNA de 50% dos presos e amplia solução de crimes