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Paraná terá mais idosos que crianças já a partir de 2027

A população com mais de 60 anos no Paraná deve superar, em 2027, o número de moradores com menos de 15 anos, segundo projeção baseada em dados do Instituto

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05/10/2026 15:50 • Atualizado há 3 horas

A população com mais de 60 anos no Paraná deve superar, em 2027, o número de moradores com menos de 15 anos, segundo projeção baseada em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) analisados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

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O cenário de envelhecimento demográfico coloca o estado em linha com a tendência observada no país e aumenta a necessidade de políticas públicas que garantam autonomia, renda, acesso à saúde e inclusão tecnológica para quem chega à velhice.

Há três meses, a professora aposentada Regina Madrigal e o marido frequentam aulas para aprender a usar melhor o celular. Aos 74 anos, ela afirma que o aparelho deixou de ser apenas instrumento de ligação e passou a ser porta de entrada para serviços, informações e interação social.

"É ruim ficar de fora, você fica perdido mesmo. Eu falei: não, tem que aprender isso para saber melhor das coisas, saber onde eu estou, o que fazer, tem que se conectar", relata Regina.

Inclusão e heterogeneidade na velhice

Para a socióloga Marisete Hoffmann, a nova configuração demográfica exige que o poder público e a sociedade enxerguem as pessoas idosas em sua diversidade, e não como um grupo único com demandas homogêneas.

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"Nós precisamos olhar para quem são essas pessoas e considerar que elas não são um grupo homogêneo. Existe uma heterogeneidade em torno do envelhecimento. Há quem esteja saudável e ativo aos 60 anos, quem mantenha essa condição aos 80, e quem enfrente limitações mais cedo", analisa Marisete.

Curitiba já tem mais idosos que crianças

Curitiba já vive a inversão da pirâmide etária: a capital tem hoje mais moradores acima dos 60 anos do que crianças e adolescentes de até 14 anos. O índice de envelhecimento local está acima da média nacional, e projeções indicam que, até 2050, um quarto da população curitibana será formada por pessoas idosas.

Nesta quinta-feira, o Estatuto do Idoso, em vigor há mais de duas décadas, volta ao centro do debate. O conjunto de direitos previstos na legislação avança, mas especialistas apontam a necessidade de ampliar ações em saúde física e psicológica, economia, mercado de trabalho e infraestrutura urbana para garantir não apenas longevidade, mas qualidade de vida.

Políticas públicas e vida ativa

Marisete ressalta que, além de proteção social, é preciso assegurar espaços de convivência e participação para quem envelhece.

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"Que nós possamos olhar para as pessoas idosas e garantir que elas tenham a possibilidade de continuar sociabilizando, de continuar desenvolvendo atividades de forma geral", afirma a socióloga.

Regina, que decidiu encarar as aulas de tecnologia, resume o que considera essencial para essa etapa da vida.

"Estar ligado, ver o que pode fazer, o que não pode, mas não parar. Viver. Viver, é isso mesmo. Tem que viver", conclui a professora.