PMs investigados no PR por repassar imagens de ocorrências às redes sociais
Operação Zeitgeist afastou 12 policiais suspeitos de fornecer vídeos para publicações em redes sociais.
A Polícia Militar do Paraná (PMPR) investiga policiais suspeitos de repassar imagens e vídeos de ocorrências para abastecer um perfil nas redes sociais que publicava esse tipo de conteúdo. Parte do material era divulgada abertamente na internet, enquanto versões mais completas eram disponibilizadas em ambientes restritos, inclusive mediante pagamento de assinatura.
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A investigação levou ao afastamento de 12 policiais militares das atividades operacionais, incluindo um oficial. Outros integrantes da corporação também são investigados por possível participação no compartilhamento das imagens.
As informações foram detalhadas pelo subcomandante-geral da PMPR, coronel Paulo Renato Aparecido Siloto, durante entrevista coletiva nesta sexta-feira (16), após a deflagração da Operação Zeitgeist.
A ação, coordenada pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cumpriu 28 mandados de busca e apreensão em 12 municípios paranaenses.
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Como funcionava o compartilhamento das imagens?
Segundo a investigação, policiais teriam utilizado registros obtidos durante o trabalho para fornecer conteúdo a um perfil de ocorrências policiais nas redes sociais.
Entre os materiais investigados estão imagens de pessoas detidas, feridas ou em situação de vulnerabilidade, além de gravações feitas dentro de viaturas e unidades policiais.
De acordo com o coronel Siloto, havia também um grupo fechado no Telegram, com participação de policiais militares. Nesse ambiente, circulavam imagens produzidas em diferentes regiões do Brasil, inclusive por militares em atividade.
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Parte dos conteúdos era publicada em páginas abertas, enquanto materiais mais completos ficavam disponíveis em espaços digitais restritos, inclusive mediante assinatura paga.
A Polícia Militar ainda não confirmou se os policiais recebiam dinheiro pelo fornecimento das imagens.
Investigação identificou cerca de 42 policiais no grupo
Durante a coletiva, o subcomandante-geral informou que a Corregedoria identificou aproximadamente 42 policiais militares com participação no grupo investigado.
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Segundo Siloto, havia integrantes que "participavam desse grupo ativamente ou não".
Isso significa que nem todos os policiais identificados são necessariamente responsáveis pelo envio das imagens.
Até agora, 12 policiais foram afastados das atividades operacionais por suspeita de fornecer material ao perfil investigado.
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"São 12 policiais que tiveram o afastamento das atividades operacionais", afirmou o coronel.
Um oficial da corporação também está entre os afastados.
O subcomandante explicou que a análise dos celulares e outros equipamentos apreendidos poderá revelar novos envolvidos e esclarecer o papel de cada participante.
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"E agora a apuração vai acontecer com a extração dos dados através da nossa Corregedoria, que vai verificar todos os contatos daquelas pessoas e o grau de envolvimento nessa situação", explicou Siloto.
Operação Zeitgeist cumpre 28 mandados no Paraná
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Curitiba, São José dos Pinhais, Pinhais, Almirante Tamandaré, Cerro Azul, Guarapuava, Pato Branco, Mandaguaçu, Nova Esperança, Paranavaí, Francisco Beltrão e Umuarama.
Durante a operação, os policiais apreenderam 26 celulares, três notebooks, um tablet, três pendrives, dois HDs, um cartão de memória, uma arma de fogo e munições de diferentes calibres.
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Três pessoas foram detidas em flagrante durante as buscas: duas por porte irregular de munição e uma por porte ilegal de arma de fogo. A nota oficial não informa se elas são policiais militares.
As medidas judiciais foram autorizadas pela Vara da Justiça Militar Estadual do Paraná.
Investigação começou após denúncia anônima
A Corregedoria-Geral da PMPR começou a investigar o caso em junho de 2026, depois de receber uma denúncia anônima sobre o possível compartilhamento irregular dos registros policiais.
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Em julho, o caso ganhou repercussão após uma denúncia apresentada por um parlamentar estadual e a divulgação de reportagens na imprensa.
Posteriormente, o perfil investigado deixou de ser localizado nas redes sociais, e um grupo mantido em aplicativo de mensagens foi excluído.
A apuração ocorre por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM) e busca esclarecer quem produzia, fornecia e divulgava as imagens.
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Durante a entrevista coletiva, o coronel Siloto afirmou que o envolvimento de policiais em situações dessa natureza preocupa o comando da corporação.
A PMPR reforçou que os afastamentos são medidas cautelares e que a eventual responsabilização dos investigados dependerá das provas reunidas.
