Eleições 2026Contagem regressiva para o 2º turno
0dias
:
00horas
:
00min
:
00seg
Paraná
Paraná

Primeiro juiz cego do Brasil relata trajetória de luta por inclusão

Ricardo Tadeu Marques defende a retirada de barreiras e mais oportunidades para pessoas com deficiência

3 min

25/09/2026 19:38 • Atualizado há 29 dias

Primeiro juiz cego do Brasil relata trajetória de luta por inclusão

“A acessibilidade é convidar a pessoa com deficiência para ir à festa. Mas a inclusão é trazê-la para dançar com todos.”

Continua depois da publicidade

A definição é do desembargador Ricardo Tadeu Marques, reconhecido como o primeiro juiz cego do Brasil. A trajetória dele se tornou símbolo de uma luta que vai além do acesso físico aos espaços e passa pela participação plena das pessoas com deficiência na sociedade.

Escolhido pelos pares para o quinto constitucional, Ricardo Tadeu foi nomeado em 2009 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Eu aprendi a conviver e a acreditar num sonho maior do que aquele que se imaginava para uma criança que nasceu em 1959. Foi sempre o meu sonho estar convivendo com o Direito. E isso se concretizou na minha vida”, afirmou.

Continua depois da publicidade

Uma trajetória marcada pelo Direito

Ricardo Tadeu construiu uma carreira no Direito e afirma ter realizado sonhos profissionais e pessoais.

“Eu me tornei um profissional do Direito qualificado, eu me tornei pai, eu me tornei avô. Então os meus sonhos pessoais eu já os realizei totalmente”, disse.

Já no cargo, participou da convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) que estabeleceu o entendimento de que a deficiência resulta da interação entre impedimentos individuais e as barreiras impostas pela sociedade.

Continua depois da publicidade

Segundo Ricardo, a convenção foi incorporada ao ordenamento constitucional brasileiro e reforça a obrigação de eliminar essas barreiras.

“A sociedade deve eliminar essas barreiras para possibilitar a integração plena, a inclusão, a acessibilidade plena para essa pessoa”, afirmou.

Histórias de pessoas que transformaram oportunidades em conquistas

A busca por inclusão também aparece na trajetória de outros personagens.

Continua depois da publicidade

Roni Machado formou-se em Direito e tornou-se advogado. Ao lembrar dos desafios enfrentados, ele resume a própria experiência como uma decisão de seguir em frente mesmo diante das dificuldades.

“Se eu olhasse para aquele menino de antigamente e eu pudesse lhe dizer uma frase, seria que vale a pena você ir contra a maré, você remar contra a correnteza”, contou.

Débora Klassen tornou-se professora universitária.

Continua depois da publicidade

“Sim, é possível. Nós temos um lugar, nós somos capazes”, afirmou.

As artistas Laura dos Santos e Paula também encontraram na arte um espaço de expressão e participação. Elas estão com uma exposição imersiva na Biblioteca Pública do Paraná.

“E elas têm o direito de estar aqui e devem estar aqui apreciando como qualquer outra pessoa”, disse Laura.

Continua depois da publicidade

Pessoas com deficiência ainda enfrentam barreiras

Apesar dos avanços, os dados apresentados na reportagem mostram que a participação de pessoas com deficiência em espaços de poder e decisão ainda é pequena.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados na reportagem, entre 2020 e 2024 houve redução no número de pessoas com deficiência eleitas para câmaras municipais ou prefeituras.

Nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional, foram cinco eleitos.

Continua depois da publicidade

Em 2022, dos cerca de 2,5 milhões de cargos gerenciais existentes no Brasil, apenas 2,5% eram ocupados por pessoas com deficiência.

As barreiras aparecem desde a infância e seguem presentes em instituições de ensino, no mercado de trabalho e em outros espaços da sociedade.

“Um Brasil menos desigual, mais inclusivo”

Para Ricardo Tadeu Marques, o desafio é construir uma sociedade em que a inclusão não seja tratada como uma questão restrita às pessoas com deficiência.

Continua depois da publicidade

“Eu sonho com um Brasil melhor para todos. Inclusive para pessoas com deficiência. Mas para todos nós. Um Brasil menos desigual, mais inclusivo”, afirmou.

Para ele, a inclusão precisa ser pensada de forma ampla.

“Então nós precisamos de inclusão, mas não só para pessoas com deficiência, para todos os brasileiros.”