Quem foi Maria Bueno, a 'milagreira' mais famosa de Curitiba
Retirada de placas de agradecimento no Cemitério São Francisco expõe história de fé em torno da jovem assassinada em 1893

Devotos de Maria Bueno, uma das figuras mais populares da religiosidade em Curitiba, protestam contra a retirada de dezenas de placas de agradecimento instaladas diante do seu túmulo no Cemitério Municipal São Francisco de Paula, no centro da capital, episódio que reacendeu o interesse pela história da jovem assassinada em 1893.
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Quem passa hoje pela quadra 2 do cemitério percebe o muro antes tomado por placas metálicas de agradecimento agora vazio. As peças, deixadas ao longo de décadas, registravam graças atribuídas à intercessão de Maria Bueno, com relatos de cura, proteção e pedidos atendidos.
Para muitos devotos, esses objetos representam trajetórias pessoais de fé que atravessam gerações e ajudaram a transformar o túmulo da chamada 'milagreira de Curitiba' em um dos pontos de devoção popular mais visitados da cidade.
Retirada para manutenção no cemitério
Em nota, a Prefeitura de Curitiba informou que o túmulo de Maria Bueno não sofreu alterações estruturais. Segundo a administração do Cemitério Municipal São Francisco de Paula, a Irmandade Maria Conceição Bueno, responsável pela manutenção do local, retirou as placas a pedido da própria administração para viabilizar obras em encanamentos que passam pela área.
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Ainda de acordo com a prefeitura, todas as placas continuam sob responsabilidade da Irmandade, e a direção do cemitério afirma estar aberta a discutir uma possível recolocação dos itens, desde que sejam respeitadas as condições técnicas e as normas do espaço.
Enquanto aguardam uma solução, fiéis seguem visitando o túmulo, acendendo velas, deixando flores e fazendo pedidos à jovem considerada por muitos como intercessora de causas difíceis.
O crime que deu origem à devoção
Maria Bueno, jovem, pobre e parda, foi assassinada em Curitiba na madrugada de 29 de janeiro de 1893. O corpo apareceu em uma área então erma, próxima ao traçado da atual avenida Vicente Machado, com graves ferimentos no pescoço.
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O principal suspeito foi o soldado Ignacio José Diniz, com quem ela mantinha um relacionamento. Ele respondeu a júri popular em julho do mesmo ano, mas o Tribunal do Júri o absolveu por falta de provas, o que alimentou entre moradores a sensação de injustiça em torno do caso.
Do túmulo simples à capela mais visitada
Após o crime, relatos de acontecimentos considerados inexplicáveis começaram a circular entre moradores. Pessoas diziam ver velas que não se apagavam diante do túmulo simples de Maria Bueno e mencionavam uma roseira que teria nascido no local, o que atraiu curiosos e, pouco a pouco, devotos.
Com o passar das décadas, a devoção cresceu. Fiéis passaram a acender velas e deixar bilhetes na sepultura até que, em 1960, admiradores levantaram uma pequena capela no Cemitério São Francisco de Paula, transformando o espaço em um marco da religiosidade popular em Curitiba.
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Hoje, o túmulo de Maria Bueno é considerado o mais visitado do cemitério e recebe pessoas de várias regiões do Paraná e de outros estados, que fazem promessas, agradecem supostas graças alcançadas ou apenas prestam homenagens. A devoção não é reconhecida oficialmente pela Igreja Católica, mas se consolidou como uma das tradições populares mais conhecidas da capital paranaense.
