Renegociação de dívidas sobe 36% no Brasil
Levantamento da Serasa indica estabilidade na inadimplência e pressão do cartão de crédito no orçamento

A renegociação de dívidas no Brasil cresceu 36% entre maio e agosto de 2026, em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento da Serasa, que também aponta estabilidade da inadimplência em agosto.
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De acordo com a empresa de análise de crédito, pouco mais da metade da população adulta está com contas em atraso, o que representa quase 84 milhões de pessoas inadimplentes no país.
Brasileiros buscam saída para o sufoco financeiro
Entre maio e agosto, consumidores fecharam cerca de 20 milhões de acordos para renegociar dívidas, um movimento que, segundo a Serasa, ajuda a conter o avanço da inadimplência.
No dia a dia, pequenas compras acumuladas ainda pesam no orçamento. A atendente de restaurante Karoline Ferreira relata que caiu nessa armadilha: "Você compra uma coisa aqui, outra ali e, quando vê, vira uma bola de neve".
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O vendedor Paulo Brito conta que se complicou com as contas do condomínio e precisou procurar alternativas para reorganizar as finanças, em meio ao aumento dos compromissos mensais.
Cartão de crédito lidera dívidas em atraso
O cartão de crédito permanece como o principal responsável pelo aperto no orçamento familiar, segundo o levantamento. Parcelamentos sucessivos e juros elevados ampliam o risco de atraso nos pagamentos e tornam a recuperação financeira mais lenta.
Karoline afirma que só conseguiu sair da situação depois de renegociar: "Eu fiz em parcelas e consegui pagar. Foi a forma que achei para respirar de novo".
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Para Aline Vieira, coordenadora de pesquisa e especialista em educação financeira da Serasa, renegociar é importante, mas exige planejamento: "Antes de fechar um acordo, é preciso analisar se as parcelas cabem no bolso, buscar juros menores e definir quanto se está disposto a pagar por mês".
Planejamento é chave para evitar nova inadimplência
Conforme aponta a especialista, o aumento dos acordos mostra que os consumidores buscam organizar as contas, mas, sem ajuste de hábitos de consumo, o risco de voltar ao vermelho permanece alto.
A recomendação é priorizar dívidas com juros mais altos, como o rotativo do cartão, revisar gastos fixos e evitar novas compras parceladas enquanto o orçamento estiver comprometido, para que a renegociação se transforme em alívio duradouro e não em novo ciclo de inadimplência.
