Acusado de atrapalhar investigações do caso Marielle foi indicado à Cedae
Homero das Neves aparece no relatório da Polícia Federal no período em que atuou à frente do Ministério público do Rio

Um ex-promotor acusado de omissão na investigação da morte da vereadora Marielle Franco foi indicado pelo Governo do Estado a um cargo no Conselho de Administração da Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio (Cedae).
Continua depois da publicidade
O nome de Homero das Neves aparece no relatório da Polícia Federal no período em que atuou à frente do Ministério público do Rio no caso da morte da parlamentar.
Na condição de acionista majoritário da Cedae, companhia que detém mais de 99,9% das ações, o Palácio Guanabara formalizou a escolha do ex-promotor em julho de 2023.
Ele foi eleito em Assembleia Geral Extraordinária naquele mesmo mês e deve ocupar o cargo na cúpula da empresa até o ano de 2025. Homero tem vencimentos líquidos de R$ 10.589,43.
Continua depois da publicidade
Em um breve descritivo sobre o Homero das Neves, o governo fluminense destaca a atuação do ex-promotor no MP do Rio entre 1991 e 2019, a condecoração o com a Medalha Campos Salles pelo mesmo MP e seu portfólio de clientes. Já contrataram seus serviços de "orientação estratégica na defesa e assessoria criminal": a Companhia Siderúrgica Nacional, a Supervia e a Águas do Rio.
No relatório da Polícia Federal que apontou a existência de um esquema de sabotagem para impedir a elucidação da morte de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes pelos órgãos de investigação, a conduta de Homero das Neves é relacionada à "omissão" e "negligência".
Então titular da 23ª Promotoria de Investigação Penal, ele também supervisionava a atuação da Delegacia de Homicídios, chefiada por Rivaldo Barbosa. Barbosa está preso acusado de ser o "mentor intelectual" do crime que vitimou a vereadora Marielle Franco. Segundo a Polícia Federal, a "tabelinha" DHC e promotor Homero Neves se mostrou "omissa".
Continua depois da publicidade
A PF também afirma que houve "negligência" de Homero quando a 23ª Promotoria esteve sob seu cuidado. A polícia destaca o avanço de organizações criminosas durante esse período.
Aposentado há cinco anos do MP, Homero começou a apuração do caso Marielle Franco em março de 2018 e deixou as investigações em junho daquele ano quando foi promovido a procurador de Justiça.
Com sua aposentadoria, em menos de um ano após sua saída do MP, Homero assumiu a defesa de um dos investigados pela Delegacia de Homicídios, o miliciano Rafael Luz Souza, conhecido como "Pulgão".
Continua depois da publicidade
À BandNews FM, Homero das Neves afirmou que sempre foi um promotor ativo e diligente. A BandNews FM aguarda posicionamento do Governo do Rio.
Confira o que diz Homero das Neves
"Durante anos acumulei minha promotoria de investigação penal, que cuidava da DRACO, DAS, DELEARM, DESARME, Coinpol, DH e Pessoas Desparecidas com a Coordenação da Central de Inquéritos.
Só como ilustração da importância do trabalho que era desenvolvido na 23a Promotoria de Investigação Penal, fui o responsável pelo oferecimento de denúncia nos casos dos homicídios do Pedreiro Amarildo e da Engenheira Patrícia Amieiro, que culminaram com a condenação pelo Tribunal do Júri de diversos Policiais.
Continua depois da publicidade
Valendo ser ressaltado que os inquéritos citados pelo Magistrado até hoje não foram concluídos, com a punição dos autores dos crimes, o que por si só já demonstra que não houve qualquer desídia da minha parte, nem dos Promotores de Justiça que me substituíram, e sim a grande dificuldade das investigações.
Fui promovido voluntariamente ao Cargo de Procurador de Justiça, depois de ocupar por 26 anos o cargo de Promotor de Justiça."
