Rio de Janeiro
Rio de Janeiro

Da siderurgia global ao Maracanã

A trajetória de Adriana Estrella na gestão de operações de alta complexidade

6 min

25/09/2026 14:48 • Atualizado há 12 horas

Da siderurgia global ao Maracanã

Com mais de duas décadas de trajetória profissional, incluindo passagens por multinacionais como ArcelorMittal, Votorantim e Hansgrohe, executiva consolidou no Governo do Estado do Rio de Janeiro uma atuação que reúne gestão financeira, contratos e planejamento orçamentário — e que a inseriu em operações envolvendo um dos ativos públicos mais conhecidos do país

Continua depois da publicidade

Em abril de 2023, o Termo de Permissão de Uso do Complexo Maracanã reuniu, em um mesmo documento, as assinaturas do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do secretário de Estado da Casa Civil, Nicola Miccione, e de representantes de Flamengo e Fluminense. Entre as assinaturas digitais que validaram o ato, envolvendo um dos ativos esportivos públicos mais emblemáticos do Brasil, está a da gestora financeira Adriana Estrella, Diretora-Geral de Finanças da Casa Civil do governo estadual na época, cuja trajetória ajuda a entender o que é necessário para chegar ao centro de decisões de alta complexidade.

A presença de seu nome em uma operação dessa dimensão não é um ponto de partida, mas de chegada. Antes de atuar na administração pública fluminense, Adriana construiu parte relevante de sua trajetória profissional em grandes organizações industriais, acumulando experiências em áreas comerciais, financeiras e gerenciais até chegar a funções de maior responsabilidade. Ao longo desse percurso, sua trajetória foi marcada não apenas pelos cargos ocupados, mas também pela participação em resultados reconhecidos pelas próprias empresas em que atuou.

Formação em gigantes da indústria

Continua depois da publicidade

O currículo de Adriana registra passagens pela ArcelorMittal, pela Votorantim e pela Hansgrohe Brasil. São ambientes que ajudam a dimensionar o grau de exigência em que sua carreira foi construída. A ArcelorMittal integra um dos maiores grupos siderúrgicos internacionais, com operações de alcance global e sistemas próprios de governança e reporte financeiro e regulatório. A Votorantim faz parte da história da industrialização brasileira: publicação do próprio grupo, ao celebrar seu centenário, lembrou que a companhia chegou a ser a maior corporação industrial do país na segunda metade do século XX. Já a Hansgrohe construiu reputação internacional em design e inovação, com mais de 800 reconhecimentos em competições internacionais, incluindo premiações como o iF Design Award e o RedDot.

Nessas empresas, Adriana ocupou os cargos de SeniorCommercial Manager, na ArcelorMittal e na Votorantim, e de Senior Manager, na Hansgrohe Brasil — posições em que negociação, gestão de contratos e coordenação de diferentes interesses faziam parte da rotina.

Um desses registros remonta a 2004. Adriana foi formalmente reconhecida pela Belgo por sua colaboração com o CDB-Rio de Janeiro para a conquista do Prêmio Gestão de Planejamento, concedido durante a reunião anual da Rede Belgo de Distribuição. O documento acrescenta um dado concreto à sua trajetória: ainda nos primeiros anos de carreira no grupo siderúrgico, seu trabalho já estava associado a um resultado de planejamento destacado dentro da própria rede de distribuição.

Continua depois da publicidade

A experiência acumulada nesse ambiente ajudou a moldar uma visão integrada da gestão, que Adriana levaria para as etapas seguintes da carreira.

“Em uma grande organização, você percebe rapidamente que nenhuma área funciona sozinha. Comercial, financeiro, contratos, planejamento e operação precisam conversar. Conforme você cresce profissionalmente, deixa de olhar apenas para a sua tarefa e começa a responder pelo resultado de todo o processo”, afirma.

Da mesa de negociação à gestão de recursos públicos

Continua depois da publicidade

Em 2017, a executiva iniciou uma segunda etapa profissional ao ingressar no Governo do Estado do Rio de Janeiro, passando a atuar diretamente na estrutura financeira da administração estadual. Entre suas atribuições estão a coordenação da execução de contratos, a gestão de equipes, o planejamento orçamentário, a interlocução entre o Estado e instituições financeiras e a liquidação de obrigações financeiras.

A mudança de setor não significou recomeçar do zero. As competências desenvolvidas ao longo de cerca de uma década no setor comercial da indústria — negociação, relacionamento com clientes, leitura de contratos e coordenação de interesses distintos — foram transferidas para um ambiente em que a responsabilidade ganha contornos ainda mais sensíveis.

“Negociar em uma grande empresa me ensinou que números nunca estão isolados. Existe um contrato, uma operação, pessoas e consequências por trás de cada decisão. Na gestão pública, essa percepção se torna ainda mais importante porque a responsabilidade envolve também recursos e patrimônio públicos”, diz Adriana.

Continua depois da publicidade

Quando competência técnica se transforma em liderança

A passagem para funções de liderança foi acontecendo à medida que Adriana ampliou o escopo de suas responsabilidades. De atividades ligadas à negociação e ao relacionamento comercial, passou a atuar também na coordenação de processos, na tomada de decisões, na definição de prioridades e na condução de equipes. Em empresas de grande porte, esse avanço significou lidar com estruturas mais complexas e com resultados que dependiam da articulação entre diferentes áreas.

Para ela, essa transição alterou de forma definitiva a maneira de enxergar o próprio trabalho.

Continua depois da publicidade

“Quando você assume uma função de liderança, muda completamente o peso das decisões. Você deixa de administrar apenas seu próprio trabalho. Passa a orientar uma equipe, definir prioridades, resolver problemas e responder pelo resultado que aquela estrutura precisa entregar.”

No centro das decisões estratégicas

Quanto mais elevada a posição, maior costuma ser a proximidade com decisões que produzem efeitos fora da própria área — e esse aspecto é particularmente evidente em estruturas governamentais. A Secretaria de Estado da Casa Civil do Rio de Janeiro auxilia diretamente o governador nos atos de gestão e atua em planejamento, organização, coordenação, controle e execução administrativa, relacionando-se com concessões, grandes eventos, órgãos públicos e empresas vinculadas ao Estado.

Continua depois da publicidade

Nesse ambiente, uma função financeira não se limita à contabilidade. Contratos exigem previsão orçamentária, obrigações precisam ser liquidadas, recursos precisam ser organizados e grandes projetos dependem de uma cadeia de profissionais para sair do papel. O Termo de Permissão de Uso do Complexo Maracanã, firmado em abril de 2023, é um exemplo concreto dessa dimensão — e da confiança institucional depositada nos profissionais que respondem por essas engrenagens.

“Quanto maior o projeto, maior é a necessidade de coordenação. Uma decisão pode envolver governo, instituições financeiras, empresas privadas, contratos e diferentes áreas internas. Nosso trabalho é fazer com que toda essa engrenagem funcione de maneira organizada e responsável”, afirma Adriana.

Reputação abre portas; responsabilidade constrói a trajetória

Continua depois da publicidade

Ao observar a sequência de sua carreira, o avanço aparece ligado à ampliação progressiva das responsabilidades. Na indústria, Adriana passou por organizações de grande porte e por funções sêniores, consolidando experiência em negociação, contratos, planejamento e gestão. No setor público, esse repertório passou a ser aplicado a uma estrutura em que decisões financeiras e administrativas estão diretamente relacionadas à execução de políticas, contratos e ativos públicos.

Essa continuidade ajuda a explicar sua participação em operações de maior sensibilidade institucional. Da colaboração reconhecida pela Belgo em 2004 à assinatura, quase duas décadas depois, do Termo de Permissão de Uso do Complexo Maracanã, sua trajetória reúne episódios documentados em que planejamento, coordenação e responsabilidade aparecem como elementos recorrentes. Mais do que uma sucessão de cargos, o percurso revela um aumento gradual da complexidade das decisões sob sua responsabilidade.

A trajetória de Adriana Estrella mostra, assim, uma carreira construída por etapas: primeiro, a formação em ambientes empresariais de alta exigência; depois, a consolidação em posições de gestão; e, por fim, a aplicação dessa experiência em uma estrutura pública estratégica. Em cada fase, o ponto comum foi a capacidade de atuar em contextos que exigem organização, interlocução entre áreas e responsabilidade sobre resultados.

Continua depois da publicidade

Depois de mais de duas décadas entre grandes empresas privadas e a administração pública, ela resume essa construção de forma direta:

“O cargo é consequência. O que realmente constrói uma carreira é tornar-se uma pessoa em quem a organização confia quando a responsabilidade aumenta. Quanto mais crítica é a operação, maior precisa ser essa confiança.”

Por: Nathalia Carvalho