Eleições 2026Contagem regressiva para o 2º turno
0dias
:
06horas
:
07min
:
00seg
Rio de Janeiro

Preso em operação da PF, Márcio Canella teria movimentado R$ 1,4 mi em esquema de propina

Marcio Canella (União Brasil) e delegado Marcus Amim foram alvo de mais uma fase da Operação Unha e Carne

4 min

15/10/2026 07:47 • Atualizado há 9 dias

O segundo deputado estadual eleito com mais votos no Rio de Janeiro Marcio Canella (União Brasil) é preso pela Polícia Federal em mais uma fase da Operação Unha e Carne na manhã desta quinta-feira (15). O parlamentar, que teve 197 mil votos no primeiro turno, teria movimentado cerca de R$ 1,4 milhão sem origem comprovada por meio de uma empresa imobiliária.

Continua depois da publicidade

O delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, também foi preso na ação.

De acordo com a PF, Márcio Canella era considerado “o articulador político” da organização criminosa. A PF e a PGR afirmam que ele usava sua influência política para indicar aliados a cargos públicos estratégicos no governo estadual.

Em anotações de contabilidade paralela apreendidas pela polícia, o nome "CANELA" aparecia repetidamente em listas de distribuição de propina vindas de postos de gasolina. Além disso, a quebra de sigilo bancário revelou que ele movimentou cerca de R$ 1,4 milhão sem origem comprovada por meio de uma empresa imobiliária. Em sua residência, a polícia apreendeu armas de fogo e munições de alto calibre.

Continua depois da publicidade

O ex-secretário de Polícia Civil e ex-presidente do Detran-RJ atuava como um "escudo" para proteger os negócios ilícitos do grupo contra fiscalizações e investigações. A investigação descobriu que uma empresa de consultoria mantida por Amim e sua esposa (MAMIM Consultoria) recebeu R$ 1,82 milhão em parcelas mensais de R$ 70 mil vinda de uma das empresas do esquema (a ADM OIL).

Para a PF, tratava-se de um contrato de consultoria de fachada para mascarar o pagamento de propina. Amim também era sócio oculto de postos de gasolina sem ter o nome registrado nos papéis oficiais.

O controle prático da rede de combustíveis ficava com Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como "Pablo Russo". O grupo controlava mais de 40 postos registrados em nome de "laranjas", como a esposa de Pablo, Luana Oliveira.

Continua depois da publicidade

Luana tinha salário oficial de apenas R$ 1.800 por mês, mas chegou a movimentar mais de R$ 60 milhões em suas contas bancárias. A empresa ADM OIL funcionava como a "central do dinheiro" do grupo: na sede da empresa, os policiais apreenderam quase R$ 900 mil em dinheiro vivo escondidos em cofres e salas.

A quadrilha pagava propina para receber informações secretas sobre operações de fiscalização do Procon e da Sedecon. Com os avisos antecipados, os donos dos postos conseguiam esconder irregularidades antes da chegada dos fiscais. A PF também identificou contatos suspeitos entre o operador do esquema e um escrivão da Polícia Federal na véspera da operação policial.

Determinações do STF

Continua depois da publicidade

Com base no parecer da PGR, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que os principais envolvidos, incluindo Márcio Canella e Marcus Amurim tenham a prisão preventiva efetuada.

Além disso, os ministros tiveram o bloqueio de bens de até R$ 700 milhões e de suas empresas, cobrindo contas bancárias, carros de luxo, imóveis e moedas digitais.

A decisão do ministro também impõe o fechamento e suspensão das atividades de 11 empresas e postos de combustíveis usados no esquema de lavagem de dinheiro, além do afastamento do cargo público do escrivão da PF investigado por vazamento de informações sigilosas.

Continua depois da publicidade

Operação

As prisões são parte de mais um desdobramento da operação Unha e Carne, realizada em julho. A ação foca em desarticular uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro com participação de agentes públicos.

Na ocasião, Canella e Amim foram alvo de buscas dentro de uma investigação sobre uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio que movimentou, em 6 anos, R$ 7,6 bilhões através de um suposto esquema de lavagem e dinheiro, com anuência de políticos.

Continua depois da publicidade

Além de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e outros crimes que forem identificados ao longo das investigações.

A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, em cumprimento às diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635.

Tópicos relacionados