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Guerra dos drones: como é feito uso por polícia e tráfico em favelas do Rio

A disputa pelo controle do espaço aéreo em favelas do Rio de Janeiro ganhou novo capítulo, com agentes de segurança e grupos criminosos recorrendo a drones,

3 min

20/09/2026 07:00 • Atualizado há 2 dias

A disputa pelo controle do espaço aéreo em favelas do Rio de Janeiro ganhou novo capítulo, com agentes de segurança e grupos criminosos recorrendo a drones, bloqueadores e rastreadores para monitorar territórios e tentar reduzir a vantagem tecnológica do adversário.

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Polícia usa tecnologia para mapear comunidades

Investigadores da Polícia Civil têm empregado equipamentos com câmeras de alta resolução para acompanhar a rotina das comunidades e identificar mudanças na geografia urbana, como construções irregulares que dificultam operações.

Segundo Fabrício Oliveira, diretor do CORE da Polícia Civil do Rio, o sistema gerencia todas as imagens produzidas pelos drones em missões e já apontou alterações relevantes.

“Percebemos a existência de telhados colocados sobre vias públicas, com o objetivo de impedir a visualização dos criminosos que atuam por ali”, explica o diretor.

Esses registros ajudam a mapear áreas de circulação de suspeitos e barreiras físicas montadas para dificultar o trabalho das equipes.

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Crime organiza defesa aérea com bloqueadores

Do outro lado, traficantes também investem em tecnologia. Em operação que prendeu o ex-deputado estadual TH Joias, em setembro do ano passado, a polícia identificou um sistema anti-drone avaliado em cerca de R$ 700 mil, capaz de interferir em sinais de equipamentos eletrônicos.

Em vídeo analisado pelos investigadores, um homem demonstra uma antena que, ao ser acionada, corta automaticamente o sinal de dispositivos próximos, inclusive de drones usados em ações de inteligência.

Para além do bloqueio, criminosos passaram a usar aparelhos que forçam o pouso dos drones e indicam a posição exata de quem controla o equipamento.

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“Ele mostra tudo: altitude, número de série, modelo e, o mais importante, onde está o operador. Então não tem como escapar”, relata um dos vídeos obtidos pela polícia.

De acordo com o porta-voz da Polícia Militar, major Maicon Pereira, agentes localizaram bloqueadores e rastreadores em comunidades como Vila Kennedy, na Zona Oeste, e Corte Oito, em Duque de Caxias, ambas associadas à mesma facção criminosa.

Exército testa radar e especialistas pedem controle

No Centro de Tecnologia do Exército, no Rio, militares desenvolvem há duas décadas radares terrestres que agora passam por testes para ampliar a capacidade de detecção de drones.

Em julho, um dos modelos, o Sentir M20, mostrou eficácia para identificar equipamentos comerciais de pequenas dimensões.

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“Conseguimos detectar drones comerciais, de categoria zero, de tamanho micro até um pouco maiores, em alcance de cerca de 4 km”, afirma Maurício Ramos de Resende Neves, chefe do centro tecnológico do Exército.

Por ser um radar voltado originalmente para monitorar pessoas e embarcações em fronteiras, o equipamento detectou os drones a aproximadamente 100 metros de altura. O sistema deve passar por novos testes, e outros modelos estão em desenvolvimento.

Segundo Neves, o desafio é reduzir o custo das soluções de defesa aérea.

“A capacidade anti-drone nós já conseguimos na base industrial de defesa, mas precisamos trazer isso com custo menor. Esse é o desafio”, avalia o militar.

Para Fabrício Oliveira, além do avanço tecnológico, é necessário apertar o controle sobre a venda de drones e seus acessórios.

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“Deveria haver um controle maior na comercialização, com aquisição por pessoas identificadas e sem antecedentes criminais, e punir de maneira exemplar quem usar esses equipamentos para praticar crimes”, defende o diretor do CORE.

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