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Rio de Janeiro

'Internet do tráfico': família de Marcinho VP obrigava uso de rede ilegal

Mulher e filho do traficante foram presos pela Polícia Federal nesta segunda-feira (19)

2 min

19/10/2026 18:41 • Atualizado há 5 dias

A empresária Márcia Gama Nepomuceno, mulher do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e mãe do rapper Oruam, foi presa pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (19), na Operação Backbone. Entre os alvos estava também outro filho do casal, Lucas dos Santos Nepomuceno.

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A operação da PF teve 23 mandados de prisão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Mãe e filho foram presos no Rio de Janeiro e foram levados para a sede da Superintendência da Polícia Federal.

A ação cumpriu 20 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 500 milhões nas contas dos investigados. Durante as buscas, os agentes apreenderam dinheiro, joias, relógios, peças de fuzil produzidas em impressoras 3D em uma das propriedades e identificaram imóveis de luxo ligados aos beneficiários, como uma casa na Barra da Tijuca.

Mesmo detido há cerca de 30 anos no sistema penitenciário federal, Marcinho VP é apontado pela PF como o líder máximo da facção. Outro filho do traficante, o rapper Oruam, chegou a ser detido anteriormente por outros crimes, mas obteve habeas corpus no mês passado.

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O que é e como funciona a 'internet do tráfico'?

A "internet do tráfico" é uma prática ilegal de monopólio forçado e extorsão praticada por grupos criminosos em territórios sob seu domínio.

O esquema funciona em etapas coordenadas de sabotagem e cobrança de propina:

  • Sabotagem do serviço legal: Integrantes da facção cortam os cabos de rede e incendeiam as caixas de distribuição das operadoras regulares de telecomunicações.
  • Bloqueio de manutenção: Técnicos e equipes de reparo das empresas autorizadas são impedidos de entrar nas comunidades para consertar a infraestrutura danificada.
  • Monopólio forçado: Sem acesso aos serviços legais, moradores e comerciantes locais são coagidos e obrigados a contratar exclusivamente os provedores clandestinos credenciados pelos criminosos.
  • Cobrança de taxas ("pedágio"): Os pequenos provedores que recebem autorização do tráfico para atuar nessas áreas pagam uma tarifa mensal fixa à facção para manter a operação exclusiva no território.

Essa modalidade tornou-se uma das fontes de renda mais lucrativas para o crime organizado. Registros apreendidos pela PF mostram que o serviço de internet já representa cerca de 40% de toda a arrecadação do Comando Vermelho no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, marca financeira que supera, inclusive, o faturamento com a venda de drogas na região.

'Internet do tráfico': família de Marcinho VP obrigava uso de rede ilegal