Morre recém-nascida filha de mulher que morreu cinco dias após o parto
Família relata falta de exames e atendimento após o parto; hospital afirma que seguiu os protocolos e revisa o caso

A Polícia Civil investiga se houve negligência no atendimento à mulher de 28 anos que morreu cinco dias após o parto no Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. A morte de Jéssica Duarte Gonçalves foi confirmada no último domingo (13).
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Nesta quinta-feira (17), a recém-nascida filha da mulher, que estava internada na UTI neonatal do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na mesma região, desde o final da tarde de terça-feira (15), também morreu.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que, apesar de receber todos os cuidados indicados e de todo o esforço da equipe médica, a recém-nascida não resistiu.
A família aponta que houve negligência médica no atendimento de mãe e filha. Segundo o marido de Jéssica, Jonathan Vieira, depois do parto, a mulher começou a apresentar fortes dores abdominais, mas recebeu alta da unidade ainda com os sintomas. O homem conta que ela não passou por exames de imagem para investigar a causa das dores e só recebeu soro e medicamento.
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"A barriga dela inchando, cheia de manchinha roxa, a barriga inchando, ela reclamando de dor... Eu indo lá toda hora chamar a enfermeira, chamar algum médico, só que o médico nunca ia, só a enfermeira, e eles dando só dipirona para ela, dipirona e soro. Teve uma hora que ela falou 'pelo amor de Deus, para de me dar dipirona, que isso não está fazendo efeito'. Aí eu falei 'faz uma ultrassom nela para ver o que é que tem, faz algum exame, alguma coisa', e eles não fizeram nenhum exame nem nada."
Mesmo com o quadro de dores e a barriga inchada, segundo a família, Jéssica recebeu alta 48 horas após o parto. Cerca de uma hora depois de chegar em casa, os sintomas da mulher pioraram e ele a levou novamente ao Hospital da Mulher Mariska Ribeiro.
Segundo o marido, Jéssica chegou em estado grave e precisou ser transferida para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, onde passou por uma cirurgia para retirada do útero e dos ovários. Ela não resistiu e morreu no domingo (13). Nesta quarta-feira (16), o corpo de Jéssica foi sepultado.
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"Minha esposa durou apenas dois dias, foram exatamente 48 horas, eu vim visitando ela, orando, orando, orando, e quando passaram essas 48 horas, eu recebi a notícia que ela tinha falecido. Enterrei minha esposa ontem e hoje eu estou aqui no Albert, que minha filha que nasceu, a bebê, ficou também com a mesma coisa que ela teve, e hoje eu estou aqui, fazendo as coisas para enterrar minha filha também, eu não sei nem o que eu estou sentindo."
Procurada, a direção do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro lamentou o falecimento de Jéssica e se solidarizou com a família.
Segundo a unidade de saúde, a mulher passou por todas as avaliações indicadas para o pós-parto, apresentando boas condições gerais, e recebeu alta 48 horas depois sem queixas que indicassem sinal de gravidade, mas voltou à maternidade, foi atendida e transferida para o Albert Schweitzer, onde passou por cirurgia e recebeu cuidados intensivos na UTI, mas não resistiu.
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O hospital disse, ainda, que o atendimento prestado à Jéssica está sendo revisado.
