MP investiga abusos de agentes 1 ano após megaoperação na Penha e no Alemão
Defensoria analisa registros de desligamento de equipamentos em ação que terminou com 122 mortos
Um ano após a megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, o Ministério Público investiga supostos abusos e execuções cometidos por agentes de segurança durante a intervenção. A ação, que entrou para a história recente do estado como uma das mais letais, deixou um saldo de 122 mortos, incluindo cinco policiais militares. Os novos desdobramentos da investigação vêm à tona a partir da análise minuciosa de centenas de horas de gravações extraídas das câmeras corporais utilizadas pelos agentes envolvidos na operação. O material está sendo auditado em conjunto pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e pelo Projeto Mirante, iniciativa de pesquisa ligada à Universidade Federal Fluminense (UFF). Câmeras enfileiradas e burladas As imagens revelam cenas inéditas e controversas dos bastidores da atuação policial em áreas dominadas por facções criminosas. Em um dos trechos que mais chamaram a atenção dos investigadores, um policial militar aparece enfileirando vários equipamentos de gravação em cima de um frigobar, em uma tentativa de mantê-los fora de operação ou ocultar a captura de imagens. A manobra, no entanto, acabou registrada por reflexo: a cena foi captada acidentalmente pela superfície espelhada de um forno de micro-ondas posicionado nas proximidades, fornecendo indícios importantes para a perícia técnica e para os órgãos de controle interno. O material audiovisual agora sob escrutínio da Justiça e do Ministério Público é considerado peça-chave para esclarecer se houve desvio de conduta, uso desproporcional da força ou alteração deliberada na dinâmica das ocorrências registradas ao longo da megaoperação.
