Não há controle em emissões de poluentes da CSN, aponta relatório inédito
Até então não houve medidas para controles de gases extraídos durante ciclo de produção da Companhia Siderúrgica Nacional

Um relatório feito pelo Instituto Internacional Arayara e obtido com exclusividade pela BandNews FM apontou 18 inconformidades ambientais e climáticas decorrentes da atividade da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, no Sul Fluminense.
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O levantamento aponta que a exposição aos gases poluentes emitidos pela siderúrgica, especialmente os carbonos orgânicos voláteis, acarreta em danos à saúde, como: irritação nos olhos, nariz e boca, dores de cabeça, perda de coordenação motora e náuseas, além de danos ao fígado, rim e ao sistema nervoso central. Alguns desses compostos podem até causar câncer.
Diante do resultado o diretor do Instituto Internacional Arayara, Juliano Bueno entrou com uma ação na Justiça contra a CSN.
Todos os equipamentos e maquinários utilizados pela empresa, aparentemente não funcionam. Identificamos um conjunto de mais de 18 inconformidades ambientais e climáticas. A partir desse momento, o Instituto entra com uma nova ação civil pública e crime para responsabilizar os empreendedores para que compram legislação e população não seja mais afetada, afirma Juliano Bueno.
O estudo mostrou que as medidas de controle da emissão dos poluentes adotadas pela Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, no Sul Fluminense, são ineficientes e que a situação é especialmente ruim no que se refere à saída do coque - primeiro passo da produção do aço. De acordo com a análise, não foram identificadas medidas de controle para os gases extraídos na coqueria ou na termelétrica da Usina Presidente Vargas e em outras instalações.
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Outro ponto abordado no estudo do Instituto é a localização geográfica da CSN, que, com a falta de medidas mitigadoras da emissão de gases, acaba intensificando os impactos ambientais e à saúde dos moradores. Por estar localizada próxima a área de várzea do Rio Paraíba do Sul, isto é, em um dos pontos mais baixos da área urbana da cidade, há um desfavorecimento e uma dificuldade na dispersão das partículas em suspensão e dos poluentes no ar de forma geral. Além disso, outro fator que reduz o potencial de dispersão, segundo o relatório, é a morfoescultura do relevo, que age como uma barreira física para diferentes direções de dispersão atmosférica.
Dados de 2019 do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases mostram que, de 2009 a 2019, 91% do total de emissões para o município de Volta Redonda são de processos industriais. Ainda segundo o relatório do Instituto, parte dos gases produzidos pela siderúrgica é queimado, muito provavelmente, por ser excedente de produção: quando não se possui capacidade para o processamento.
Ainda de acordo com a análise, para que a situação mude é necessária a instalação de lavadores de gases para tratar as substâncias e impedir que elas saiam como poluentes. O professor de Química Francisco Manhães, porém, afirma que os equipamentos têm que ter dimensão proporcional à produção dos gases.
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Para que esses gases poluentes não sejam lançados, indistintamente no ar, eles precisam ser tratados. O que são os lavadores de gases? São aparatos, equipamentos, que vão captar esses gases nocivos, com potencial nocivo, e vão de alguma maneira, transformá-los, neutraliza-los. Agora, não adianta, você instalar um lavador com uma certa capacidade, quando a indústria está produzindo muito mais, porque ele não dá conta, não dá vazão, afirma o professor.
O levantamento ainda mostrou que, de janeiro de 2013 a dezembro de 2015, foram registradas 3.660 internações por problemas respiratórios em Volta Redonda, o que corresponde a 9,04% das hospitalizações desse período. ((39% eram idosos e 17% crianças menores de cinco anos. A moradora Bruna Trindade conta que começou a ter crise de asma desde que retornou para Volta Redonda.
Eu nasci em Volta Redonda. Quando eu era criança, eu não tinha asma. Eu morei no Pará, durante a minha infância, então eu não morava aqui. E eu nunca tive problema de respiração antes, eu não era uma criança que tinha alergia, que tinha problema respiratório. E quando eu voltei para cá, para Volta Redonda, eu comecei a ter asma, então eu associo, com certeza, à poluição. Eu comecei a ter crise de alergia, bronquite, desenvolveu para asma, e tenho certeza que foi poluição. Quando eu morava em outro lugar, eu não tinha isso, comenta Bruna Trindade.
Na semana passada, o vereador Raone Ferreira pediu que o Governo Federal intervenha na cidade para encontrar uma solução para a poluição. A solicitação foi feita em reunião com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
