Rio de Janeiro
Jornal da Noite

Nova tecnologia corta sinal de celulares em presídios do Rio de Janeiro

Uma tecnologia em fase de testes no Rio de Janeiro viabilizou o bloqueio de aparelhos celulares utilizados por detentos sem a necessidade de intervenção

3 min

17/10/2026 00:59 • Atualizado há 8 horas

Uma tecnologia em fase de testes no Rio de Janeiro viabilizou o bloqueio de aparelhos celulares utilizados por detentos sem a necessidade de intervenção física de policiais penais nas celas. O procedimento começou a ser aplicado por agentes das corporações federal e estadual no sistema penitenciário fluminense.

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Na última quarta-feira (14), a operação Modo Avião localizou 143 aparelhos em uso irregular nas unidades prisionais do estado, que acabaram desativados em conjunto com a Anatel. Em apenas duas semanas de implementação dos novos recursos, mais de 700 linhas e telefones foram retirados de funcionamento.

Varredura por mochilas eletrônicas

A fiscalização móvel opera por meio dos chamados Equipamentos Táticos de Revista Eletrônica (ETREs), dispositivos portáteis carregados em mochilas que rastreiam conexões ativas da rede móvel. Ao detectar as frequências, o sistema identifica o código IMEI, que funciona como o registro de identificação de cada celular, e solicita o cancelamento da operação técnica à agência reguladora.

Além dos telefones convencionais, a tecnologia interrompe transmissões de relógios inteligentes (smartwatches), roteadores e rastreadores conectados à rede móvel.

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O avanço na agilidade das medidas decorre de um decreto federal publicado no início da semana. A norma passou a autorizar a suspensão de forma administrativa e direta, eliminando a exigência anterior de recolher o equipamento em revista ou aguardar decisões da Justiça para suspender as linhas.

Histórico de bloqueadores fixos

A modalidade móvel busca suprir a falta de barreiras fixas nas penitenciárias do Rio de Janeiro. Atualmente, apenas as unidades Bangu 3 e Bangu 4, integrantes do Complexo de Gericinó, na zona Oeste da capital fluminense, dispõem de estruturas fixas para barrar transmissões de sinal 5G, redes wi-fi e sobrevoos de drones.

O projeto anunciado pelo Executivo estadual previa instalar equipamentos fixos em 49 cadeias, em um plano orçado em R$ 431 milhões, mas a proposta ainda não tem prazo para entrar em execução. Para ampliar o cerco à criminalidade carcerária, o governo federal enviou neste ano scanners corporais, detectores, drones e um georradar para fiscalizar eventuais escavações no solo.

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Em 2024, as autoridades penitenciárias transferiram para presídios federais de segurança máxima 15 criminosos ligados à facção Comando Vermelho que escavavam uma passagem subterrânea para tentar escapar de Gericinó.

Apreensões físicas e novos investimentos

Mesmo com a introdução do sistema eletrônico, as equipes da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seppen) mantêm vistorias presenciais. Desde agosto, os agentes recolheram mais de 1.500 aparelhos e 32 quilos de entorpecentes, com a prisão em flagrante de 17 visitantes e dois policiais penais que tentavam ingressar com produtos proibidos.

Em nota oficial, o Ministério da Justiça informou a previsão de investir mais de R$ 27 milhões na estrutura do sistema penitenciário do estado do Rio de Janeiro até o fim deste ano.