Polícia apura três mortes e dezenas de denúncias contra clínica de estética
A Polícia Civil investiga a morte de três pacientes e dezenas de denúncias de complicações médicas após cirurgias realizadas em uma clínica estética na Zona
A Polícia Civil investiga a morte de três pacientes e dezenas de denúncias de complicações médicas após cirurgias realizadas em uma clínica estética na Zona Sul do Rio de Janeiro. Mesmo sob apuração das autoridades, o estabelecimento continua funcionando normalmente.
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Entre as vítimas está Jéssica, de 34 anos, que contratou três procedimentos estéticos por R$ 12.800. Após a cirurgia, a paciente ficou internada por dois meses e morreu no dia 19 de setembro. De acordo com o atestado de óbito, ela teve infecção grave e generalizada da membrana que reveste a cavidade abdominal, provocada por uma perfuração intestinal decorrente de complicação cirúrgica.
Além do caso de Jéssica, a polícia confirmou o óbito de outras duas mulheres. Até o momento, 28 pessoas já procuraram a delegacia para denunciar complicações ocorridas após procedimentos no local. A Delegacia do Consumidor é responsável pelas investigações e segue recebendo novos relatos de vítimas.
Medicamentos vencidos e médicos estrangeiros
Em agosto, uma fiscalização conjunta da polícia e da Vigilância Sanitária esteve na clínica e encontrou medicamentos com prazo de validade vencido.
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A investigação também apura a responsabilidade sobre quem realizava os procedimentos. Existe a suspeita de que médicos estrangeiros, que estariam no Brasil para acompanhar cursos de pós-graduação, atuavam em cirurgias plásticas de forma irregular.
A rede de clínicas atraía clientes oferecendo procedimentos com valores significativamente inferiores à média do mercado. A colocação de prótese de silicone, por exemplo, era anunciada por cerca de R$ 5.000, enquanto o preço cobrado no mercado para a mesma cirurgia parte de R$ 20 mil.
Especialistas alertam que a busca por preços muito baixos aumenta os riscos e recomendam priorizar profissionais de excelência para minimizar a chance de intercorrências.
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Situação das investigações e posicionamentos
Apesar do volume de denúncias e dos casos fatais, ninguém foi indiciado e a clínica não teve as atividades suspensas. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) informou que há uma sindicância instaurada para apurar a conduta dos envolvidos.
Procurada pela reportagem, a direção da clínica não enviou resposta aos questionamentos.
