Polícia do RJ prende chefes de quadrilha do gás que movimentou R$ 350 mi
Operação mira esquema ligado à maior facção do estado; bando expulsava comerciantes, pagava propina e torturava rivais
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta quarta-feira (28) a Operação Dominus para desarticular um esquema criminoso de monopólio e exploração ilegal na venda de botijões de gás em comunidades dominadas pela maior facção do estado. Ao todo, a Justiça expediu nove mandados de prisão preventiva e 44 de busca e apreensão contra os integrantes da quadrilha.
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As investigações apontam que o esquema movimentou cerca de R$ 350 milhões no período de apenas um ano. Durante as diligências, equipes policiais fiscalizaram depósitos clandestinos utilizados pelos criminosos e apreenderam centenas de botijões de gás.
Prisão em cobertura no Recreio e lideranças detidas
Um dos principais alvos da ação foi localizado em uma cobertura no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste da capital. Rendido pelos agentes no imóvel, Adriano Pereira Junior, conhecido como "Junior Playboy", foi preso apontado como o líder empresarial da organização.
Conforme apurado pela polícia, Junior Playboy mantinha ligação direta com Edgard Alves Andrade, o "Doca", chefe que atua foragido no comando da facção nas ruas do Rio de Janeiro.
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Outro integrante de destaque capturado durante a ofensiva foi Michel da Silva Gama, o "Polegar", identificado nas apurações como o responsável pela fiscalização da distribuição clandestina e pelo cumprimento das regras do grupo nos territórios controlados.
Monopólio forçado, propina e tortura
Interceptações telefônicas e relatórios de inteligência revelaram que os criminosos impunham o monopólio da venda do produto com violência extrema nas favelas. Revendedores regulares e comerciantes locais eram expulsos das comunidades para que apenas os depósitos vinculados à quadrilha pudessem operar.
Além da extorsão comercial, o inquérito constatou o pagamento sistemático de propina a agentes públicos para garantir a continuidade da exploração sem fiscalização. Moradores ou comerciantes que tentavam descumprir as determinações do grupo ou vender gás por conta própria eram submetidos a torturas e até executados pela facção.
