Rio de Janeiro
Jornal da Noite

Polícia indicia rede de clínicas no Rio após três mortes e mutilações

Vigilância Sanitária fecha centros cirúrgicos do grupo

2 min

27/10/2026 00:31 • Atualizado há 1 hora

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro investiga a atuação clandestina da rede de clínicas de estética Celita Toledo após a confirmação de três mortes e denúncias formais de mais de 30 pacientes por deformidades e complicações graves. A apuração policial aponta que cirurgias plásticas eram realizadas por estudantes e médicos estrangeiros sem autorização legal para atuar no país.

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Centros cirúrgicos de duas unidades da empresa foram interditados pela Vigilância Sanitária municipal. De acordo com informações, a administração da clínica chegou a descumprir a primeira ordem de fechamento, mas os fiscais lacraram novamente as instalações na última quarta-feira.

A proprietária do grupo empresarial, Celita Toledo, não possui graduação ou registro profissional na área da saúde. Apesar das mortes em apuração e das sucessivas interdições das salas de operação, a rede continuou anunciando procedimentos cirúrgicos normalmente pelas redes sociais ao longo da semana.

Vítimas relatam dores intensas e descaso no pós-operatório

O fluxo de denúncias levou dezenas de mulheres às delegacias fluminenses para registrar queixas-crimes e cobrar a devolução de quantias pagas adiantadas. Na porta das unidades, pacientes relataram longas esperas em condições precárias apenas para a retirada de drenos e curativos.

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Uma das pacientes atendidas, que preferiu preservar a identidade por segurança, relatou deformidades no abdômen e deslocamento das próteses de silicone após passar por três intervenções no local. Segundo o depoimento, os responsáveis pela clínica recusaram atendimento reparador e mandaram a paciente deixar o prédio sem prestar assistência médica.

Outra vítima, a assistente financeira Camila Amazonas, havia pago R$ 14 mil por uma cirurgia plástica e já estava internada no quarto quando soube da ação sanitária. A paciente declarou que a interdição antes da entrada no centro cirúrgico evitou que ela passasse pelo procedimento nas instalações irregulares.

Investigação mira exercício ilegal da medicina

Os inquéritos policiais apuram a prática de crimes como homicídio culposo, lesão corporal de natureza grave, associação criminosa e exercício ilegal da medicina. A fiscalização sanitária recolheu prontuários médicos, contratos de prestação de serviços e notas fiscais para mapear todos os profissionais que atuavam nos blocos operatórios.

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A apuração indica que os procedimentos de lipoaspiração e implantes de próteses eram oferecidos por valores abaixo da média de mercado. O esquema atraía mulheres de diferentes regiões do estado que não eram informadas sobre a falta de habilitação técnica da equipe médica.

A Vigilância Sanitária mantém a suspensão total das cirurgias nas filiais até que as perícias comprovem a regularidade sanitária e a documentação completa dos profissionais de saúde. A Polícia Civil convocará médicos e funcionários da rede para prestar esclarecimentos formais nos próximos dias.