Rio de Janeiro

Sufoco, desconfiança e troca de técnicos: ciclo do Brasil lembra roteiro de títulos mundiais

A Amarelinha as Eliminatórias Sul-Americanas com a pior campanha da equipe na história da competição

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12/09/2025 19:25 • Atualizado há 419 dias

Sufoco, desconfiança e troca de técnicos: ciclo do Brasil lembra roteiro de títulos mundiais

A Seleção Brasileira terminou as Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo 2026 com a pior campanha da equipe na história da competição. Com a derrota para a Bolívia, na última rodada, a Amarelinha fecha o torneio em 5º lugar, com apenas oito vitórias em 18 partidas disputadas. É a primeira vez desde as eliminatórias para 2002 que o Brasil não se classifica com a melhor campanha do continente.

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Apesar da desconfiança gerada na torcida por uma campanha ruim, o Brasil já passou por problemas em ciclos que terminaram com o título mundial. Nas eliminatórias para o Tetra, em 1994, a seleção se classificou na última rodada após vencer o Uruguai com dois gols de Romário.

O campeão do mundo Jorginho explica que apesar da pressão que para a partida, aquela seleção tinha um trabalho sólido e longevo com o técnico Carlos Alberto Parreira. O ex-lateral entende que a sequência do trabalho é essencial, mas as escolhas do ex-presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, atrapalharam o processo.

O Parreira assumiu a seleção em 91, logo após a Copa América, se eu não me engano, disputada pelo Brasil, com o Falcão. Então o Parreira teve um período bom para trabalhar e com certeza foram muito menos jogadores testados. Nós chegamos naquele jogo contra o Uruguai, claro que existia aquela apreensão por causa da final de 1950 no Maracanã, e fizemos um jogão. Eu acho que as decisões tomadas pelo ex-presidente Ednaldo foram muito ruins, atrapalhou tudo. Infelizmente o Ancelotti não conseguiu montar uma equipe, uma base pelo menos do time.

No período de três anos do ciclo para próxima Copa do Mundo, a Canarinho foi comandada por quatro treinadores. Em meio à impasse na negociação por Carlo Ancelotti, o técnico Ramon Menezes assumiu a seleção de forma interina. Com a primeira negativa do italiano, Fernando Diniz foi contratado pela CBF para treinar o time enquanto ainda era comandante do Fluminense. Sem resultados, Diniz deu lugar a Dorival Jr, que foi demitido após ser goleado pela Argentina.

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Além da mudança no comando técnico, Ednaldo Rodrigues foi afastado da presidência da CBF por acusações fora das quatro linhas. Samir Xaud assumiu o cargo em maio de 2025, a pouco mais de um ano da Copa do Mundo.

O comentarista da Rádio BandNews FM Rio, Álvaro Oliveira Filho, lembra que apesar da FIFA contar as Eliminatórias como parte do mundial, as competições são bem diferentes e nem sempre quem foi bem em uma, entrega o que é esperado em outra.

Existe um intervalo de pelo menos seis meses entre uma e outra, e seis meses no futebol é tempo suficiente para transformar azarões em favoritos e vice-versa. A seleção brasileira já chegou em algumas Copas do Mundo como pinta de campeã e acabou saindo em crise, e já aconteceu também o contrário, já conquistou títulos com equipes que chegaram sob a desconfiança da torcida brasileira. Eu duvido que alguém se atreva a tirar a seleção brasileira de qualquer relação de candidatos ao título no ano que vem.

O roteiro caótico pode fazer o torcedor de boa memória lembrar do período pré conquista do Penta em 2002. Na oportunidade, o Brasil foi treinado por Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão antes da chegada do técnico Felipão. Nas eliminatórias, a Amarelinha ficou em terceiro lugar, trezes pontos atrás da líder Argentina.

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O comentarista da Rádio BandNews FM Rio, Antônio Carlos Duarte acredita que a grande diferença é que a seleção que acabou se sagrando campeã tinha mais jogadores de grande qualidade.

Naquela oportunidade nós tínhamos jogadores que faziam a diferença dentro do campo. Casos de Rivaldo, do Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Cafu, entre outros jogadores. Hoje nós temos jogadores medianos, na minha opinião. Apenas um poderia fazer a diferença que seria o Neymar, só que ele participou muito pouco. Será que ele ainda faz falta à Seleção Brasileira? Por aquilo que a gente viu no jogos, acho que sim

Também não é a primeira vez que a torcida brasileira enfrenta dúvidas se o craque da geração vai estar ou não na Copa do Mundo. Por desentendimento com a comissão técnica, Romário ficou sem ser convocado para a seleção antes da copa e voltou logo no jogo em que foi decisivo para a classificação, contra o Uruguai.

Companheiro de time do camisa 11, Jorginho reconhece a importância de Romário para o elenco e explica que torce para a recuperação de Neymar para disputar a Copa do Mundo de 2026.

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A gente sabia que faltava Romário, acabou não sendo convocado e eu acho que ele foi no momento exato, o mais importante. Espero a volta do Neymar, que ele realmente se conscientize, foque na carreira dele. Para mim ele é o cara, é o único cara diferenciado na seleção brasileira, realmente é o extraordinário o craque, então ele precisa estar muito bem para que ele possa contribuir com a seleção brasileira, que ele leva a seleção brasileira para um outro nível

Além de 94, em 2002 e em 1970 a Seleção Brasileira também correu riscos de não ter o grande nome tecnicamente. Em abril de 2000, Ronaldo Fenômeno sofreu uma grave lesão no joelho e ficou mais de um ano afastado dos gramados. A ruptura do tendão e dos ligamentos fez com a volta do R9 ao futebol de alto rendimento fosse alvo de dúvidas.

Já no ano do tricampeonato o Brasil quase não teve o maior jogador de todos os tempos, Pelé. Após se lesionar nas campanhas de 62 e 66, o rei disse que pensava em não ir ao México, pois, na própria avaliação, não dava sorte em Copa do Mundo.

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