Três são presos em ação contra milícia de Curicica e TCP
Entre os presos estão dois policiais militares; MP denunciou 20 investigados à Justiça do Rio

A Justiça do Rio recebeu uma denúncia do Ministério Público do Estado contra 20 investigados por integrar núcleos ligados à milícia de Curicica, na Zona Sudoeste do Rio, e à facção criminosa Terceiro Comando Puro. Nesta quinta-feira (27), agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP cumpriram três mandados de prisão contra os alvos. Entre os presos estão dois policiais militares.
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A denúncia reúne fatos referentes a 2023 e atribui aos investigados crimes de constituição de milícia privada, associação para o tráfico de drogas com emprego de arma de fogo e comércio ilegal de armas e munições de uso restrito.
Segundo as investigações, havia uma aliança entre a milícia de Curicica e integrantes do TCP que atuam nos complexos da Maré e da Pedreira. A relação seria baseada em um pacto de não agressão e cooperação operacional, com o objetivo de enfrentar grupos rivais, especialmente o Comando Vermelho, além de facilitar o comércio ilegal de armas e drogas.
Ao decretar as prisões preventivas, a Justiça do Rio considerou a gravidade dos fatos, a estrutura armada da organização, o risco de novos crimes e a necessidade de preservar a ordem pública.
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Em nota, a Secretaria de Polícia Militar afirmou que colabora integralmente com as investigações do Ministério Público. A corporação confirmou que os policiais presos serão encaminhados para a Unidade Prisional da Corporação, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, e submetidos a Procedimentos Administrativos Disciplinares.
Segundo o Ministério Público, a milícia de Curicica tem uma estrutura hierarquizada e com divisão de tarefas. André Costa Barros, conhecido como "Boto" ou "Redbull", mesmo preso desde 2021, seria o responsável pelo comando estratégico das ações.
Ainda de acordo com a denúncia, para financiar as atividades criminosas, a organização cobrava valores extorsivos de moradores e comerciantes da região e roubava veículos e cargas em Jacarepaguá e áreas próximas.
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A relação de André Boto não seria exclusiva com o Terceiro Comando Puro. No ano passado, a BandNews FM mostrou conversas interceptadas pela Polícia Civil entre o miliciano e um chefe do tráfico do Comando Vermelho.
As mensagens, trocadas em 2024, indicavam estratégias para a expansão territorial do CV na Zona Oeste. Segundo a polícia, André Boto teria se aliado à facção para facilitar a entrada de traficantes em comunidades dominadas por milicianos na região.
