Além das lendas: Museu do Folclore explora práticas e saberes populares
Patrimônio imaterial, o folclore vai além das manifestações culturais e tem papel ativo na construção de identidade de um povo

Neste 22 de agosto, o Brasil celebra o Dia do Folclore, oficializado em 1965 pelo Decreto nº 56.747, assinado pelo então presidente militar Castello Branco. A palavra folclore foi criada pelo escritor inglês William John Thoms, em 1846, pela junção de outras duas palavras da língua inglesa: folk (povo) + lore (o saber, a cultura). Portanto, o folclore define os saberes e tradições culturais típicos de um povo ou nação.
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São José dos Campos possui um museu dedicado à preservação do folclore, localizado dentro do Parque da Cidade — é uma experiência coletiva da infância de qualquer criança joseense fazer uma excursão até o museu e passar a tarde brincando no parque.
Mas o Museu do Folclore Angela Savastano explora uma abordagem diferente de folclore, indo além das lendas populares do Saci Pererê, Noiva da Dutra, Cobra Grande, Mula sem cabeça, Corpo Seco…
Para Camila Inês, gestora do museu, pensar em folclore é olhar para a sabedoria do povo enquanto cultura espontânea, que nada mais é do que aquilo que se aprende na própria vida, nas relações pessoais, nas práticas cotidianas e nos lugares que se frequenta.
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E isso é único para cada um, e ao mesmo tempo é identitário, no sentido de coletividade. Embora o folclore tenha ficado mais atrelado à representação de mitos e lendas, ele tem essa abordagem mais ampla, que é pensar o que se mobiliza dentro da sabedoria popular, daquilo que a gente aprende ao longo da vida, explica a gestora do museu.

Outro olhar
O museu aborda folclore como patrimônio imaterial e reconhece a importância do aprendizado informal e da construção da identidade de uma sociedade. “Então quando a gente entende que a cultura popular é nossa, a gente começa a identificar aprendizados constituidores de identidade, e também tem condição de valorizar esses aprendizados”, explica Camila.
E quais seriam esses aprendizados? O crochê da vovô, o jeito como a mamãe passa café, a construção de casas, as celebrações de aniversários e a transmissão de conhecimentos.
Ao olhar para diferentes manifestações de cultura popular tradicional, como os grupos de congadas e as folias de reis, que possuem uma origem e uma história, percebe-se que todas as pessoas são detentoras de saberes populares e compartilham uma cultura importante para um determinado lugar e sociedade.
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Preservação
Ter um dia nacional e um museu dedicado ao folclore já são formas de preservação do patrimônio imaterial do folclore. Mas o primeiro passo para preservar uma coisa é reconhecer sua existência e importância.
A gestora do museu do folclore de São José dos Campos ressalta que os trabalhos de registro são importantes porque documentam historicamente as manifestações culturais populares. “Essa documentação atesta o que um grupo já vivencia há muito tempo e há muitas gerações, e cria condições para que políticas públicas possam valorizar e preservar manifestações culturais e os lugares onde elas acontecem”.
É preciso pensar estratégias para que esses grupos possam continuar existindo, porque eles existem por si e para além do recursos. Então trabalhos de reconhecimento trazem a valorização do folclore para além dos próprios detentores, e possibilita salvaguardar o legado e a tradição que eles representam, ressalta Camila Inês.
Riqueza de histórias
Já as lendas folclóricas, a música, a dança, a brincadeira, a arte, a culinária, os ofícios, todas essas manifestações culturais fazem parte da sabedoria do povo.
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O Vale do Paraíba é muito rico e traz muitas histórias: a história da Cobra Grande que mora no Rio e é contada de maneiras diferentes, a história da Noiva da Dutra, com uma abordagem mais assombrosa. Essas lendas também dizem respeito ao quanto a sabedoria popular se vale da criatividade de falar sobre as coisas através de histórias, explica Camila Inês.

Programação
O Museu do Folclore Angela Savastano celebra a data com a temática “Ô de Casa”, propondo uma reflexão sobre as diferentes formas de morar, construir e habitar o mundo. O evento oferece um percurso dinâmico, repleto de vivências e trocas culturais através de quatro estações temáticas.
Serviço
- Evento gratuito “Ô de Casa”
- Data: 22 de agosto
- Horário: 15h às 17h
- Local: Museu do Folclore, no Parque da Cidade, Av. Olivo Gomes, 100 – Santana
- Sem necessidade de agendamento prévio
