Bosque da memória homenageia vítimas da Covid-19 em São José dos Campos
Parque da Cidade ganha plantio de árvores em alusão às pessoas que perderam a vida durante a pandemia.

No domingo (17), a Prefeitura de São José dos Campos realizou um plantio de árvores que marcou a criação do Bosque da Memória, localizado no Parque da Cidade. Essa foi uma forma de homenagear às vítimas de covid-19 que perderam a vida durante a pandemia e por conta das restrições, não puderam ser veladas. O encontro aconteceu próximo ao estacionamento do Cefe (Centro de Formação do Educador), reunindo amigos e familiares das vítimas.
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Cerca de 50 mudas de árvores nativas, como ingá, pau-viola, paineira, jequitibá, aroeira pimenteira e pau-d’alho, foram plantadas e a previsão é que ao longo do tempo, o espaço receba mais 2.000 mudas. Além disso, cada planta tem um QR CODE, para que elas possam ser identificadas após o plantio e os entes queridos acompanhem o seu desenvolvimento.
Homenagem
O espaço será um novo lugar de reflexão, um símbolo de amor, carinho e da solidariedade em tempos difíceis. O marido da Juliana de Faria, foi uma das mais de 700 mil vidas perdidas pela covid-19 no Brasil. Ela e a filha Lara, foram prestar a homenagem. Para Juliana esse momento que ela viveu com a filha transbordou de amor e foi ali que ela eternizou uma parte da vida:
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“Quando eu soube do Bosque da Memória e dessa homenagem eu fiquei impressionada, porque eu não consegui me despedir do meu marido. Na homenagem eu consegui eternizar o nosso amor, fiquei emocionada.”

Juliana e Lara (arquivo pessoal)
Juliana era casada com Jaeder Felipe há 20 anos. Quando ele faleceu a filha tinha apenas 6 meses. O dia do plantio foi dois dias depois da data de aniversário dele e pra ela, a iniciativa teve ainda mais sentido:
“Eu vivi o processo de luto de uma forma muito intensa, hoje o que fica é a saudade de uma forma amorosa. Lara ainda tem uma memória afetiva ligada ao pai, durante a homenagem, foi emocionante ver nossa filha se entregando tanto, ela conversava com a muda de planta. Ela me deu uma força, foi surreal e mágico.”

Juliana, Jaeder e Lara (arquivo pessoal)
Toni Abreu Rosado homenageou o pai, Renato, e a mãe, Carmosita. Ao lado da filha mais nova ele plantou duas mudas. O casal faleceu em agosto de 2021, com uma diferença de apenas 11 dias. Toni também perdeu a esposa, por um problema de saúde não relacionado à covid-19, 37 dias antes. Na época, as duas filhas dele tinham 6 e 13 anos.

Toni Abreu Rosado
Arquivo Pessoal
“Eu sinto muita saudade todos os dias. Eu nunca vou esquecer deles e no bosque temos a homenagem física, onde cada árvore leva a identificação dos nossos entes. Eu sei que aquelas duas árvores estão crescendo e serão importantes para toda a comunidade, assim como meus pais foram para mim”, conta.

Toni Abreu Rosado homenageou seu pai, Renato, e sua mãe, Carmosita (arquivo pessoal)
Memórias de amor
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"Um homem prestativo, trabalhador, honesto. Foi um ótimo marido, um ótimo filho e tenho certeza que seria um bom pai, mas infelizmente não foi possível. Eu perdi um excelente marido, o amor da minha vida. A homenagem foi muito significativa, na noite anterior eu sonhei com ele. No sonho ele me abraçou, eu perguntei como era o céu e ele respondeu 'é maravilhoso', e é por isso que eu sei que ele está bem”, conta a psicóloga Claudia Monti, que homenageou o marido. Eles estavam casados há 24 anos quando ele faleceu.
O casal aguardava um filho na fila de adoção por 8 anos. Dois anos após o falecimento do marido, chegou o Caio. Claudia ainda conta que no jazigo está escrita a frase “No silêncio você continua a nos ensinar. O amor vence a morte!”, eternizando a frase que representa a boa relação do casal.

Claudia Monti (arquivo pessoal)
Plantar uma árvore é um ato simples, mas que para Cláudia representa um ritual muito importante para o luto.
"Perder alguém para a covid é muito cruel, foi um desespero. É muito triste. Eu acredito que precisamos de um marco como esse, porque neste caso, não cumprimos com um ritual que é tão necessário para nós que vivemos em sociedade. O Bosque da Memória representa, que não vamos esquecer dessa tragédia, muitos amores foram embora de uma forma cruel”, explica.

Claudia Monti e Marido (arquivo pessoal)
Falando sobre as memórias e as viagens vividas juntos, Claudia relembra com carinho:
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“São tantas memórias lindas e boas viagens que fizemos juntos. Eu passei por momentos de grandes mudanças da minha vida, saí da área da engenharia civil e resolvi estudar psicologia. Ele me deu muita força, me incentivou nos estudos. Ser psicóloga é a realização de um sonho. Tudo isso eu devo a ele, que me proporcionou essa transição, que não foi fácil."
Sobre a importância das árvores no bosque, ela ainda destaca: “as árvores irão crescer e ficar bonitas. Estão no bosque, purificando o ar, logo eles que eles precisaram tanto de oxigênio.”
O Bosque da Memória
O Bosque da Memória está localizado no Parque da Cidade Roberto Burle Marx, na avenida Olivo Gomes, número 100, Santana. As árvores foram plantadas ao lado do estacionamento do Cefe (Centro de Formação do Educador). De acordo com a Prefeitura de São José dos Campos, mais 2.000 mudas de plantas serão plantadas nesse espaço.
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Por Sara TeixeiraEstagiária* - projeto sob a supervisão de Nelson Gazolla - MTb: 74.409/SPDireção de Conteúdo - Cláudio Nicolini
