Câmera flagra jovem inconsciente ao deixar montanha-russa no interior de SP
Júlia Rimoli Bosson perdeu parte do crânio e dos movimentos após andar na Montezum, no parque Hopi Hari, em Vinhedo (SP)

Júlia Rimoli Bossoni, de 28 anos, sofreu um grave problema neurológico após andar na montanha-russa Montezum, no parque Hopi Hari, em Vinhedo (SP), no dia 20 de abril de 2026. As câmeras de segurança da atração registraram o momento em que a vítima e o marido entram no brinquedo e minutos depois, na volta, a mulher está desacordada.
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De acordo com o vídeo, às 17h10 Júlia entra pelo lado direito do terceiro carrinho - de trás para frente - enquanto o companheiro ocupa o lado esquerdo. Às 17h13, no encerramento da atração, ela permanece sentada e inconsciente na cadeira. Na sequência, os funcionários tentaram reanimá-la.
Após o passeio, a mulher foi socorrida e encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo. De acordo com o boletim de ocorrência, posteriormente ela foi diagnosticada com um acidente vascular cerebral (AVC) e permaneceu internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Conforme a mãe de Júlia, após o ocorrido ela ficou 18 dias intubada e cerca de 60 dias internada na UTI. A vítima precisou passar por cirurgias no cérebro, nas quais foi necessária a retirada de uma parte do crânio e a implantação de uma válvula de derivação ventriculoperitoneal (DVP). Infelizmente, essa válvula não cicatrizou adequadamente, apresentando um risco iminente de infecção.
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Atualmente, Júlia permanece com uma parte do crânio ausente, formando um vácuo que está deslocando o cérebro em aproximadamente 1,5 cm. Ela não possui mobilidade do lado esquerdo do corpo e enfrenta diariamente uma intensa jornada de reabilitação.
Entenda o caso
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público (MP). Em depoimento, o companheiro relatou que o equipamento apresentava fortes impactos e solavancos. No entanto, no momento do registro inicial, ele afirmou não saber se Júlia havia batido a cabeça durante o trajeto.
Após o ocorrido, ainda não havia uma conclusão definitiva sobre a causa do problema neurológico. Os médicos teriam descartado uma malformação arteriovenosa e considerado a possibilidade de um trauma relacionado ao episódio na atração.
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Investigação passou a apurar possível lesão corporal
O boletim foi inicialmente registrado como ocorrência não criminal, com autoria desconhecida. O próprio documento aponta que, caso os exames identificassem eventual imperícia ou imprudência relacionada ao parque, a classificação poderia ser alterada para lesão corporal culposa ou outro delito.
Ao longo da investigação, o caso passou a ser tratado como procedimento investigatório preliminar para apurar uma possível lesão corporal culposa. Em manifestação encaminhada ao Judiciário, o Ministério Público registrou que, segundo os elementos reunidos até então, Júlia teria sofrido um grave traumatismo craniano durante o percurso do Montezum.
O documento também registra que, conforme o relato do marido, Júlia começou a convulsionar ainda dentro do brinquedo. O Ministério Público mencionou ainda a ocorrência de hematoma subdural e a necessidade de procedimentos neurocirúrgicos de urgência.
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Apesar disso, a documentação não apresenta, até o momento, uma conclusão definitiva sobre a causa do trauma ou sobre eventual responsabilidade do parque.
Polícia pediu imagens do brinquedo
Para esclarecer o que aconteceu durante o percurso, a Polícia Civil solicitou ao Hopi Hari imagens das câmeras de segurança da atração entre 16h30 e 17h30 do dia 20 de abril [Veja acima]. O pedido também incluiu outras câmeras que pudessem ter registrado o momento do ocorrido e o atendimento médico prestado à vítima.
Em seguida, o MP apontou a necessidade de esclarecer a informação apresentada pelo parque sobre a inexistência de imagens do trajeto da montanha-russa. A questão ganhou relevância porque há um sistema de captura de fotografias dos passageiros durante o percurso.
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A defesa de Júlia pediu que a Polícia Civil faça uma verificação diretamente na atração para identificar os equipamentos de captação de imagens, a localização, o trecho registrado e a forma de armazenamento dos arquivos. O pedido também inclui a verificação sobre a possibilidade de o equipamento utilizado para fotografar os passageiros produzir apenas fotografias ou também outros registros audiovisuais.
A investigação busca esclarecer principalmente o que ocorreu dentro do Montezum e se houve relação entre o percurso da atração e o trauma sofrido por Júlia. Entre os pontos que ainda precisam ser esclarecidos estão a existência de um eventual impacto na cabeça, o momento em que o trauma teria ocorrido e se houve alguma falha relacionada ao funcionamento ou à segurança do brinquedo.
Até o momento, os documentos analisados não estabelecem que o parque tenha causado o trauma nem apontam, de forma definitiva, uma responsabilidade criminal do estabelecimento. O Ministério Público solicitou novas diligências antes de uma conclusão sobre o caso.
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O que diz o Hopi Hari?
"A Montezum possui certificação internacional emitida pelo Grupo TUV Nord uma das maiores organizações de inspeção e testes de atrações do mundo.
Uma auditoria independente Holandesa que emite selos de segurança e qualidade para garantir que produtos, processos e empresas sigam normas e legislações internacionais.A atração passa por inspeções periódicas, além de rotinas diárias de manutenção e segurança. O Hopi Hari segue rigorosamente a norma ABNT NBR 15926-2023 e adota protocolos de segurança, treinamento e orientação aos visitantes, com recomendações e restrições informadas por sinalização visual, avisos sonoros e orientações antes do embarque.
Em 2026, aproximadamente 470 mil pessoas já passaram pela atração.Recentemente, o Ministério Público emitiu parecer destacando a regularidade do funcionamento da Montezum e apontando não haver risco coletivo, defeito no projeto da atração ou negligência, além de reconhecer a adoção de protocolos rigorosos de prevenção, manutenção e segurança operacional.
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Em relação à visitante do Paraná, o Hopi Hari esclarece que ela utilizou a atração duas vezes no mesmo dia e que o episódio ocorreu durante a segunda passagem, quando apresentou um quadro de convulsão e recebeu atendimento imediato das equipes do parque, sendo posteriormente encaminhada à Santa Casa de Vinhedo.
A direção e o departamento jurídico do Hopi Hari mantiveram contato com os familiares e prestaram o suporte necessário durante o atendimento, permanecendo à disposição da família.
Nos últimos cinco anos, o parque recebeu mais de 5,5 milhões de visitantes e segue investindo continuamente em segurança, manutenção, procedimentos e treinamento. As ocorrências mencionadas de anos anteriores pertencem a gestões passadas, e a atual administração reforça seu compromisso com a cultura de segurança implementada nos últimos cinco anos".
