Caso Porsche: em júri, réu admite ter bebido e testemunha relata pressão
Acidente aconteceu em 2024, na Zona Leste de São Paulo, e matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana
O empresário Fernando Sastre admitiu pela primeira vez ter consumido bebida alcoólica antes do acidente de trânsito que matou um motorista de aplicativo em 2024, na Zona Leste de São Paulo. A declaração foi feita nesta quinta-feira (29), segundo dia de seu julgamento no Tribunal do Júri, na capital paulista. Sastre chorou e admitiu ter ingerido vodka e uísque.
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O clima no plenário é tenso, registrando a expulsão da tia e da namorada do réu —esta última levada ao tribunal sob condução coercitiva— por tumultuarem os trabalhos, além da paralisação temporária do júri após uma jurada passar mal. Com a acusação pleiteando uma condenação superior a 20 anos de reclusão, o julgamento caminha para a sua fase decisiva.
A tragédia e o impacto na família da vítima
O caso ocorreu na noite de um Domingo de Páscoa, quando Sastre retornava de uma balada na companhia de amigos a bordo de seu veículo Porsche. Trafegando a mais de 150 km/h na Avenida Salim Farah Maluf —via cujo limite permitido é de 50 km/h—, o empresário colidiu violentamente contra o automóvel do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana.
O impacto provocou a morte imediata do trabalhador e abalou a estrutura de sua família, que passou a enfrentar graves dificuldades financeiras após a perda do provedor.
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Pressão sobre testemunhas e bastidores
A reconstrução dos fatos começou a ganhar contornos decisivos no primeiro dia do júri, com o depoimento do médico Marcos Vinícius, amigo de Fernando que estava no carro no momento da colisão. A testemunha revelou no tribunal ter sofrido pressões do grupo social do empresário para alterar sua versão e ocultar detalhes aos investigadores.
Entretanto, o médico optou por relatar a verdade, confirmando que o grupo havia ingerido bebidas alcoólicas antes de assumir a direção. Marcos Vinícius detalhou ainda que a namorada de Fernando tentou impedi-lo de guiar o automóvel após uma discussão, mas que ele decidiu acompanhar o amigo para não deixá-lo sozinho.
Embates periciais e o confronto do dolo eventual
Além dos depoimentos das testemunhas e do interrogatório do réu, o julgamento registrou intensos confrontos técnicos entre peritos da acusação e da defesa a respeito do laudo que identificou 56 avarias no veículo.
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Enquanto o Ministério Público defende a condenação por homicídio com dolo eventual —sustentando que trafegar a três vezes a velocidade permitida e sob efeito de álcool caracteriza a assunção do risco de matar—, a defesa empenha-se em descaracterizar a intenção deliberada para afastar o dolo e tentar reduzir a eventual pena aplicável.
